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“Os plásticos e o ambiente: O outro lado da história…”

Por vezes, quando se conta uma história, opta-se por contar apenas uma parte dessa história, aquela que mais convém ou interessa partilhar… Mas a verdade é que só é possível entendermos o real contexto quando estamos na posse de toda a informação, ou seja, da história completa. Nos dias de hoje, este é um dos problemas de que “sofre” o material plástico, já que grande parte das alegações mais frequentes se baseiam em mitos.

 

 

O plástico, enquanto material versátil que é, veio revolucionar a nossa sociedade de consumo nas mais diversas áreas, como sejam: embalagem, transportes, saúde, eletrónica, construção, entre outras, contribuindo globalmente para a minimização de impactes e custos ambientais.

 

 

Fonte: Trucost Plastics and Sustainability: A Valuation of Environmental Benefits, Costs and Opportunities for Continuous Improvement, July 2016.   Costs shown in US Billion dollars.

Mas de um momento para o outro, como que por magia, este material passou a ser percecionado, um pouco por todo o mundo, como o mal de todos os males, em que o tema da poluição dos oceanos se tornou o principal veículo. Mas ao contrário do que se possa imaginar, os plásticos que aparecem nos oceanos têm na sua maioria origem em terra, cerca de 80%, onde o maior contributo provém de países asiáticos e africanos, onde não existem sistemas de recolha eficientes. A contribuição da Europa para este problema, que existe e que é grave, é cerca de 1%. E portanto o problema, em si, não é o facto de serem plásticos mas o facto de terem sido abandonados, ou seja, estamos perante um problema comportamental!

Fonte: Jambeck et al Research Report – “Marine Pollution: Plastic waste inputs from land into the ocean”, Feb 2015.

E ao invés de se procurar combater a raiz do problema, não, opta-se por olhar para o lado e visar o material, restringindo a sua utilização. Talvez seja a via mais fácil, mas certamente a mais errada. Proibir pura e simplesmente o uso do plástico representa um retrocesso ambiental, económico e civilizacional. Antes de se querer proibir um determinado produto deve-se estudar previamente o impacto de tal medida, de forma a garantir a sua sustentabilidade, proporcionalidade, segurança e viabilidade. A este nível, o estudo nunca ficará completo se não forem avaliados, através de análises de ciclo de vida, os impactes dos produtos de materiais alternativos, cujo desempenho ambiental é bastante inferior ao plástico.

Fonte: The impact of plastic packaging on life cycle energy consumption and greenhouse gas emissions in Europe: Executive summary July 2011, Bernd Brandt and Harald Pilz.

Infelizmente, esta análise nem sempre é efetuada, levando muitas empresas, não só pelo mediatismo que o tema plástico tem tido como também pela pressão dos próprios consumidores, nem sempre devidamente informados, a tomar opções que no final se vêm a revelar menos sustentáveis que a opção inicial e contrárias à economia circular. Temos como exemplo prático a substituição dos copos de plástico de polipropileno, um material reciclável, por copos de “papel”. Contudo, este copo dito de “papel” é plastificado no seu interior, podendo inclusive sê-lo também no exterior, quando projetado para acondicionar bebidas frias, por questões de condensação. Resultado, passamos de um monomaterial reciclável, para um material complexo não reciclável. Na prática, a solução encontrada em nada beneficiou o ambiente, muito pelo contrário. E como este, muitos outros casos têm tido expressão no mercado.

É, pois, essencial que todos os atores que integram a cadeia de valor do material desenvolvam ações que contribuam para a circularidade do plástico. Em primeira instância, é fundamental que as embalagens, por via do ecodesign, sejam projetadas cada vez mais para a reciclagem e para o ambiente, com o propósito de aumentarmos a sua reciclabilidade, sempre com o princípio básico de não comprometermos a sua função. Neste capítulo, a inovação, com recurso à investigação e desenvolvimento de novos materiais, produtos e ou tecnologias, ganha uma relevância extrema. Paralelamente, é fundamental que a incorporação de material reciclado nas mais diversas aplicações seja impulsionada.

No entanto, de pouco serve termos embalagens bem concebidas e fáceis de reciclar se no final o consumidor não adotar os comportamentos de separação e deposição seletivas. Esta simples atitude será decisiva para o desígnio da gestão de resíduos em Portugal, nos próximos tempos, desde logo, pelos objetivos futuros a que o país está obrigado em matéria de taxas de reciclagem e de deposição em aterro, ambas bastante ambiciosas.

Em resumo, todos nós, enquanto consumidores, temos um papel determinante no caminho para a sustentabilidade e economia circular, quer pela via de um consumo cada vez mais racional, quer pela adoção de um comportamento mais cívico e mais responsável na forma de descarte dos resíduos gerados. O Ambiente envolve-nos a todos e a responsabilidade também… 

Nuno Aguiar, Técnico Superior na APIP – Associação Portuguesa da Indústria de Plásticos

Festas de Lisboa terão copos reutilizáveis

© iStock

“Não teremos mais esses copos de plástico nos grandes eventos, uma medida importante para a vida da nossa cidade”, anunciou o presidente da Câmara Municipal de Lisboa durante a apresentação das festividades, que decorreu no Mercado de Arroios.

Segundo Fernando Medina (PS), este foi “um dos requisitos que se colocou e que resulta da edição deste ano”, que “nos eventos de grande dimensão os copos [utilizados] sejam copos reutilizáveis e não copos de plástico”.

“Não será possível ainda em toda a cidade, porque os arraiais são imensos e espalham-se por toda a cidade, mas em todas as organizações de concertos em espaços organizados, será esse o método utilizado”, explicou aos jornalistas no final da apresentação.

Para o líder do executivo municipal da capital, este “será um grande sinal do ponto de vista da marca ecológica, que estas festas também querem representar”.

Em declarações à agência Lusa, o diretor de Comunicação e Relações Institucionais da Sociedade Central de Cervejas, patrocinadora das festas nos próximos três anos, explicou que “não se reduzem só os copos, reduzem-se todos os materiais utilizados”.

Nuno Pinto de Magalhães precisou que “os copos reutilizáveis serão adotados conforme o espaço e o evento”, sendo que os modelos a adotar “ainda estão a ser ajustados para poderem ser implementados” em cada situação.

“Obviamente que em eventos fechados será mais fácil fazer a gestão, em eventos abertos é mais difícil”, apontou o responsável.

Paralelamente, estão a ser desenvolvidas campanhas de sensibilização em conjunto com as juntas de freguesia da zona histórica da cidade, para que “nos momentos em que não possam ser utilizados copos reutilizáveis, haja uma recolha de copos através de movimentos associativos, com um incentivo” e prémios associados.

O objetivo é ter “pessoas que recolham copos tradicionais e que consigam, pelo menos, minimizar o impacto no chão, e [que os copos] tenham depois o destino correto em termos de reciclagem”, afirmou.

A organização pretende então, “este ano, ganhar experiência e aprendizagem” para, nos próximos três anos, implementar apenas copos reutilizáveis, precisou o diretor.

LUSA

Reciclagem: Portugal ainda longe de metas de 2020, apesar de esforços

O relatório “Resíduos Urbanos 2014”, disponível no site da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), revela que, “embora nos últimos anos tenha sido feito um esforço considerável na modernização dos equipamentos de triagem e no reforço das redes de recolha seletiva, o país está longe de alcançar os objetivos de reciclagem para 2020”.

Para os técnicos da APA, “será este talvez o maior dos desafios do novo PERSU 2020”, o Plano Estratégico para os Resíduos Urbanos.

As metas para Portugal, nesta área, são fixadas em diretiva europeia e apontam para 2020 um aumento mínimo de 50% em peso, relativamente à preparação para reutilização e reciclagem do lixo, incluindo papel, cartão, plástico, vidro, metal, madeira e materiais biodegradáveis.

A taxa de reciclagem em 2014 não foi além de 29%, “bastante aquém da meta definida para 2020”, salienta a APA, realçando que “o curto intervalo de tempo até que a meta seja aplicável exigirá um esforço considerável”.

O crescimento na reciclagem deverá ser obtido “através de uma aposta forte na recolha seletiva”, e com maior eficiência na triagem e recuperação de recicláveis em unidades de Tratamento Mecânico e Biológico (TMB).

A APA reconhece que foi feito um esforço significativo para aumentar o número de infraestruturas de recolha seletiva, como ecopontos e ecocentros, o que “não teve reflexos proporcionais nas quantidades” obtidas.

Mais de metade dos 23 Sistemas de Gestão de Resíduos Urbanos (SGRU) recolhem seletivamente menos de 10% dos resíduos que produzem, aspeto preocupante para a APA, tendo em conta as metas definidas.

“Os investimentos feitos no sentido do aumento da deposição seletiva não têm tido os devidos reflexos nos comportamentos da população”, conclui.

É igualmente necessário reduzir o lixo produzido – atingir, no mínimo, 7,6%, em peso, por habitante, em dezembro deste ano -, para chegar aos 10%, em 2020, na comparação com 2012.

Os últimos dados disponíveis, para 2014, referem uma inversão do comportamento dos anos anteriores e o total de lixo aumentou 2,5%, para 4,5 milhões de toneladas, face a 2013.

Na análise da quantidade de resíduos produzidos por habitante, o resultado é uma redução de 0,49%, longe dos 7,6% a atingir este ano.

A situação leva a APA a defender que é indispensável “apostar ainda mais” nesta área, embora o PERSU 2020 já integre ações nesse sentido.

“Para cumprir a meta de prevenção definida para 2016, será necessário um decréscimo de produção de 7,1%, em dois anos, o que é um objetivo muito ambicioso”, alerta a APA.

Mais de metade do lixo produzido (53,3%) é biodegradável e 73% é reciclável, a maior parte com possibilidade de valorização, justificando, segundo a APA, o investimento em medidas para a sua recuperação.

Outra tarefa a cumprir refere-se à deposição de resíduos biodegradáveis em aterro, que deve descer até 35%, em 2020 (face a 1995). Portugal caminhava nessa direção, de 88%, em 2008, a 53%, em 2013.

Em 2014, porém, as quantidades de materiais direcionados para os aterros estabilizaram nos 52%.

A APA considera que “a concretização da meta de 2020 está fortemente dependente da construção das infraestruturas de TMB [tratamento mecânico e biológico] previstas”.

Em 2014, apenas nove dos 23 SGRU depositaram em aterro menos de 80% do lixo produzido. Três deles utilizam a incineração como destino direto e seis SGRU cumprem a meta individual de deposição máxima de resíduos urbanos biodegradáveis em aterro, definida para 2020.

Câmara do Porto prepara mudança de paradigma na limpeza urbana

Neste momento, a varredura, a recolha de indiferenciados e de reciclados estão concessionados a duas empresas privadas em 50% da cidade. A restante malha urbana é operada pela autarquia.

No novo modelo, toda a cidade será servida pelos mesmos princípios, ou seja, prestação de serviço quanto a varredura e recolha de indiferenciados e serão os serviços da própria autarquia a recolherem os recicláveis em toda a cidade.

Com este novo sistema, a Câmara do Porto pretende ser uma referência nacional e internacional em termos de sustentabilidade nos resíduos, limpeza urbana e na reciclagem. Filipe Araújo, o vereador responsável pelo Ambiente e Inovação, acredita que existe um “potencial de crescimento de reciclável, dado que mais de 70% do indiferenciado é potencialmente reciclável.”

Por outro lado, o Porto vai, com as alterações que se preparam, diminuir a “pegada ecológica” da cidade, nomeadamente através da utilização de frotas mais sustentáveis e através de um sistema tecnológico de monitorização e operacionalização.

Estas novidades permitirão tornar o sistema mais transparente e operar uma redução dos custos, o que poderá vir a reflectir-se na redução das tarifas aos munícipes.

A Câmara acredita também que, com este sistema, que evita a concessão da recolha de resíduos, permitirá uma maior especialização e eficiência, através do reforço e da capacitação dos recursos humanos.

Em preparação está também a criação de uma empresa municipal para o ambiente. A criação desta nova estrutura, trará ganhos de eficiência de recursos e poderá impulsionar uma maior libertação de pessoas para incorporar outras divisões da Câmara.

Por outro lado, haverá uma maior especialização e eficácia nas atividades de gestão de resíduos urbanos e de limpeza urbana, bem como uma maior agilidade dos processos.

Segundo Filipe Araújo, “garantindo-se a adequada formação específica necessária aos recursos a realocar, será possível evitar a externalização de serviços, cujo custo global se estima em cerca de 3,7 milhões de euros por ano”.

O modelo futuro deverá, por isso, alavancar a reciclagem na cidade, tornando o Porto uma referência; modernizar as operações por forma a obter ganhos de qualidade e utilizar as mais recentes tecnologias na área de forma a melhor monitorizar e atuar.

A Câmara espera, com esta mudança de paradigma na recolha e limpeza urbana, não apenas aumentar a eficiência e limpeza da cidade, mas também operar uma diminuição de custos com a Recolha e Limpeza Urbana em mais de 10%.

O novo sistema implica uma forte aposta na formação dos colaboradores, realocando alguns deles noutros serviços da Câmara do Porto, por forma a melhorar a qualidade prestada ao cidadão em acções como a poda de árvores, serviços em jardins e parques.

Há 20 anos numa busca pela melhoria contínua

Elsa Nascimento

É possível inovar nos processos de reciclagem, adotando práticas que minimizam os danos para o meio ambiente. No quotidiano da Renascimento, de que forma a vertente inovação tem sido fundamental no processo de reciclagem?
Somos uma empresa que se pretende diferenciar no mercado. Como tal, apresentamos os melhores serviços e melhores práticas. Para que tal aconteça, a busca pela melhoria contínua torna-se imprescindível. Este é um termo que está intrinsecamente ligado à definição de Inovação. Operamos no mercado de Gestão e Reciclagem de resíduos, portanto possuímos um foco muito grande na preservação do meio ambiente e, como tal, pretendemos sempre diminuir a nossa pegada ambiental. Existe na Renascimento uma estratégia que apela a um ambiente propício à geração de inovação. Perfeito exemplo disso, é a certificação WEEELABEX. É com certeza uma mais-valia, pois significa que estamos aptos qualitativamente, entre outras, para um conjunto de medidas de proteção ao ambiente.

Várias entidades têm hoje procurado garantir o cumprimento das metas europeias de reciclagem de embalagens que são colocadas no mercado em Portugal. Tendo em conta o maior envolvimento da população na recolha seletiva e as novas tecnologias de triagem de resíduos elétricos e eletrónicos, acredita que estas metas vão sendo cumpridas?
Todos nós, cidadãos, pretendemos ter um papel ativo na sociedade. Como tal, cada vez mais, assistimos a uma tendência crescente com proteção para com o ambiente. A recolha seletiva tende a ser uma prática crescente e um objetivo comum no dia-a-dia de muitos portugueses. As novas tecnologias têm-se revelado muito importantes pois vêm sistematizando processos, impulsionando esta área. Conseguem-se portanto paralelamente, não só aumentar a qualidade e produtividade do serviço, mas também poupar tempo e recursos que são vitais. A Certificação WEEELABEX estabelece medidas relativas à proteção do meio ambiente e da saúde e segurança humanas, mediante a prevenção e mitigação dos efeitos negativos da logística de resíduos de REE’s. Desta forma, com o carimbo de excelência que prova a qualidade de todos os procedimentos, pretendemos incentivar todos os intervenientes (sejam eles fabricantes de Resíduos Elétricos e Eletrónicos, distribuidores, armazenistas, logística, lojas de eletrodomésticos ou ainda consumidores finais), para que seja feita a correta triagem deste tipo de resíduos.

Olhando para o cenário internacional e quando se fala em gestão e reciclagem de resíduos, qual a posição que Portugal assume? Estamos no bom caminho ou ainda há muito a fazer? No campo da consciencialização, o que continua a ser premente fazer?
Portugal é um dos países mais desenvolvidos tecnologicamente na área da Gestão e Reciclagem de Resíduos. Estamos com certeza no bom caminho mas existe ainda muita coisa a fazer no âmbito burocrático e certificação. Os velhos hábitos são algo que se demora a perder e, como tal, é necessário tomar uma estratégia que siga uma linha de consciencialização contínua junto da população. Somente desta forma se irão conseguir atingir novas metas e resultados.

Apenas se dedicam à recolha e reciclagem de resíduos elétricos?
Não, a Renascimento também tem investido fortemente na gestão e tratamento de resíduos industriais, perigosos e resíduos de construção e demolição, estando também estas áreas certificadas em Qualidade, Ambiente e Segurança.

Onde estão a operar?
A Renascimento celebra este ano 20 anos de atividade e está presente no Porto, Lisboa e Faro.

Ponto Verde Open Innovation com candidaturas abertas até 8 de abril

A iniciativa é promovida pela Sociedade Ponto Verde e visa apoiar projetos de Investigação & Desenvolvimento (I&D), modelos e projetos de negócio impulsionadores e dinamizadores da economia circular. Os interessados poderão submeter as candidaturas através do site http://pontoverdeopeninnovation.com.
A iniciativa, que conta com apoio institucional  do Ministério do Ambiente, será operacionalizada com um conjunto de parceiros de relevo das mais diversas áreas, nomeadamente investigadores, investidores, associações setoriais, empresas e universidades, que poderão proporcionar diversos tipos de apoio, nomeadamente mentoring, incubação de empresas e financiamento.

Luís Veiga Martins
Luís Veiga Martins

São passíveis de candidatura projetos submetidos por Universidades, Instituições do Sistema Científico e Tecnológico Nacional e outras entidades, Empresas, Associações e Organizações Não Governamentais, bem como de empreendedores individuais ou equipas e startups até três anos de existência.
Após esta fase, seguem-se a verificação e avaliação de mérito das candidaturas, realizadas por entidades independentes e, posteriormente, a avaliação das mesmas pelo Advisory Board do Ponto Verde Open Innovation. Entre setembro e outubro terá lugar um Bootcamp, organizado pela Nova School of Business and Economics, no qual poderão participar os responsáveis pelos projetos anteriormente selecionados pelo Advisory Board. Por último, os projetos serão avaliados pela comissão executiva da Sociedade Ponto Verde e pelos parceiros do Ponto Verde Open Innovation.
O projeto conta ainda com o apoio das seguintes entidades: AEP – Câmara de Comércio e Indústria, AEPSA – Associação das Empresas Portuguesas para o Setor do Ambiente, Building Global Innovators, Centro para a Valorização de Resíduos, EY, Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, Fundação AIP, Millennium Capital, Nova School of Business and Economics, Porto Business School, Startup Lisboa, The Lisbon MBA, Universidade do Minho, Universidade do Porto e VDA – Vieira de Almeida Associados.
O Advisory Board do projeto é constituído por Ana Isabel Trigo Morais, António Barahona d’Almeida, António Lobo Antunes, Augusto Mateus, Fernando Leite, Francisco Nunes Correia, Jorge Rodrigues, Miguel Fontes, Nuno Lacasta, Paulo Ferrão e Viriato Soromenho-Marques.
Ao longo dos seus 19 anos, a Sociedade Ponto Verde tem vindo, no âmbito da sua missão, a apoiar e dinamizar a investigação e desenvolvimento, tendo investido mais de 2 milhões de euros em projetos e estudos que se revelaram fundamentais para melhorar processos de recolha, de transporte, de triagem e de reciclagem e, inclusivamente, para o aparecimento de novas técnicas e de novos negócios. Destacam-se projetos como os Plásticos Mistos, que contribuíram para a reciclagem de plásticos que, no passado, constituíam refugo das estações de triagem; ou o baldeamento assistido, projeto que tem proporcionado ao setor horeca (hotéis, restaurantes e cafés) uma forma eficiente e fácil de depositar o vidro recolhido nos seus estabelecimentos em ecopontos especialmente adaptados para recolher grandes quantidades de embalagens.

Eu Reduzo, Tu Reciclas, Ele Reutiliza

Jorge Coelho

Desta forma, hoje a Reciclagem é um processo incontornável para um bom equilíbrio ambiental, dado que o número de equipamentos nos vários setores económicos rapidamente ficam obsoletos tornando-se excedentários e, por sua vez, um resíduo que carece de tratamento adequado. Sobre estas e outras matérias, a Revista Pontos de Vista falou com Jorge Coelho e Ana Coelho, respetivamente CEO e Diretora de Comunicação da Reciclinfor – Reciclagem Informática, numa conversa onde ficamos a conhecer o trajeto de uma marca que tem crescido paulatinamente e, acima de tudo, tem tido a capacidade de se adaptar às mutações e exigências do próprio mercado da reciclagem e não só.
Tudo passa por ciclos, e foi desta forma que se começou também a desenhar a dinâmica da Reciclinfor, que deu início à sua atividade em 1998 no domínio do setor dos resíduos metálicos e não eletrónicos. Porquê esta mudança de «agulhas»? O CEO da marca explica, “o convite surgiu através dos próprios colaboradores da empresa que lançaram a possibilidade de ficar com alguns dos equipamentos informáticos funcionais”, visto que nesse tempo os equipamentos eram bastante dispendiosos, “conseguíamos realizar valores mais baixos, despoletando assim a procura. Entretanto com a evolução do negócio optamos por criar uma empresa apenas focada na comercialização deste tipo de equipamentos e assistências técnicas, denominada por Servitek”, esclarece.

“Reciclinfor e Servitek são independentes”

Será legítimo afirmar que a Reciclinfor «alimenta» a Servitek? Para Ana Coelho
a resposta é muito clara, atualmente a Reciclinfor não alimenta a Servitek. A maior parte dos equipamentos é adquirida a grandes grupos empresariais e uma grande parcela resulta da importação.

A Reciclinfor esta focada na área da reciclagem de todo o tipo de resíduos elétricos e eletronicos, maioritariamente no âmbito do universo empresarial, continuando assim a alargar o leque de clientes que contam com este tipo de serviço. “Qualquer empresa que se queira desfazer do seu parque informático e que este esteja minimamente atual, nós valorizamos e até, em determinados casos e se existir uma grande quantidade de equipamentos obsoletos, podemos atribuir valor”, revela Jorge Coelho.
Recolher, triar e encaminhar para reciclagem são três das etapas do processo da Reciclinfor. Questionamos os nossos interlocutores se, de entre os produtos recolhidos qual a percentagem dos que são eliminados e dos que regressam ao mercado por intermédio da Servitek? “No início da nossa atividade, há 18 anos atrás, cerca de 80 a 90% dos equipamentos eram comercializáveis, sendo o restante direcionado para a reciclagem. Entretanto os valores inverteram-se e agora assistimos ao oposto, ou seja, apenas 10 a 15 % dos equipamentos recolhidos são comercializáveis e os restantes reciclados”, salientam, justificando esta mudança com a constante exigência do utilizador limitando o tempo de vida útil dos equipamentos.

Sensibilizar para reciclar

O grande objetivo da Reciclinfor passa, inevitavelmente, por aumentar a Reutilização e Reciclagem de componentes Informáticos contribuindo assim para um planeta mais verde. As ações de sensibilização assim o dizem e a sociedade começa a ter outra consciência para estas realidades de proteção do meio ambiente e do futuro das gerações vindouras, mas ainda falta muito caminho. “As pessoas estão mais sensibilizadas, mas por outro lado existe outra dificuldade, ou seja, essa responsabilidade ambiental perde-se quando chega «à algibeira» do comum dos cidadãos e isso acaba por inibir as pessoas de o fazer com maior frequência. Seria interessante que se criassem iniciativas com locais fixos para se depositar e recolher esses equipamentos. Poderia ser uma boa solução”, afirma Jorge Coelho, lembrando que ainda estamos bastante atrasados relativamente ao que se pratica nesta área ao nível de outros congéneres europeus.

“Trabalhar nesta área dá-nos um prazer imenso”

Os desafios na Reciclinfor nunca cessam, sendo que o último passou pela mudança de instalações, dos anteriores 400 para os atuais 800 metros quadrados, aportando um peso superior à marca, que pretende continuar a recolher equipamentos gratuitamente na zona da grande Lisboa, embora também o faça em outras áreas do país, mediante uma avaliação prévia. Pretendemos continuar a prestar um serviço de qualidade e transparente junto de cada cliente, seja na Reciclinfor ou na Servitek, esse é o nosso foco. Trabalhar nesta área dá-nos um prazer imenso, até porque sentimos que, com o nosso contributo, andamos a «arrumar a casa e o próprio país» e estamos a colaborar com o meio ambiente que é essencial para a vida humana”, concluem Jorge e Ana Coelho.

Renascimento obtém a mais ambicionada certificação a nível europeu no âmbito do tratamento de REEE

A Renascimento é detentora de três unidades especializadas no tratamento do fluxo específico dos Resíduos elétricos e eletrónicos (REEE) localizada no distrito de Lisboa, Aveiro e Faro. Estas unidades estão licenciadas e certificadas (normas ISO9001 e ISO14001 e OSHAS 18001) para rececionar e efetuar as várias etapas de tratamento deste tipo de resíduos. Cada categoria de REEE que dá entrada nas várias unidades de gestão de resíduos da Renascimento segue um processo de triagem e tratamento específico, sendo de destacar que todas as operações de recolha, transporte, gestão e tratamento estão licenciadas pelo Ministério do Ambiente.

A Renascimento é membro do sistema integrado de gestão de REEE gerido pelas entidades gestoras portuguesas Amb3E e ERP Portugal desde o início.

Tal como referido pela Diretora de Negócios e porta-voz da empresa, Elsa Nascimento “ Estamos convictos que temos desenvolvido todos os esforços em Investigação e desenvolvimento assim como todos os investimentos financeiros necessários à implementação das melhores práticas disponíveis até à data, a Renascimento já iniciou em 2013 este processo de certificação do referencial WEEELABEX (normas internacionais especificas para REEE), o qual significa a excelência no tratamento de REEE a nível europeu”.

Resultante da auditoria afeta a este processo para avaliação da conformidade, a qual decorreu no passado mês de novembro de 2015, a Renascimento obteve a pontuação de 92% para o tratamento de grandes equipamentos e de 93% referente ao processo de tratamento de pequenos equipamentos e obteve o MELHOR DOS RECONHECIMENTOS PARA PREMIAR A EXCELENCIA da SUA ACTIVIDADE DE TRATAMENTO DE REEE – A CERTIFICAÇÃO WEEELABEX.

Os requisitos normativos WEEELABEX estabelecem medidas relativas à proteção do meio ambiente e da saúde e segurança humanas mediante a prevenção e mitigação dos efeitos negativos da logística de resíduos de equipamentos elétricos e eletrónicos (REEE), refere Alexandra Fernandes.

O Diretor operacional Paulo Nascimento refere ainda que todo o processo conducente à obtenção deste reconhecimento foi longo e penoso, já foi iniciado em 2013 através da realização de uma auditoria piloto que pretendeu “testar” a adaptabilidade da empresa ao referencial WEEELABEX e que no final de 2014 foram realizados os restantes testes formais de tratamento ou “batch tests” (auditoria operacional) que implicaram a mobilização, durante 3 dias, de toda a unidade de tratamento de REEE para aferição da nossa metodologia de tratamento e obtenção de taxas de tratamento e reciclagem com base em amostras representativas”.

Após a realização destes testes seguiu-se um ano de trabalhos que visaram a consolidação de todos os aspetos identificados neste procedimento e que conduziram à realização da última auditoria para obtenção do reconhecimento de excelência WEELABEX.

A Renascimento encontra-se assim listada e reconhecida oficialmente e internacionalmente como operador WEEELABEX na List of attested WEEELABEX Treatment Operators, sendo pois o único operador português a figurar na referida à data de hoje.

A direção da empresa acredita que este reconhecimento venha a incentivar ainda mais os fabricantes de equipamentos elétricos e eletrónicos, os importadores, os distribuidores, os armazenistas, a logística, as lojas de eletrodomésticos e o consumidor em geral a enviar os seus resíduos para empresas certificadas por estas normas, evitando desta forma o encaminhamento destes materiais para “sucateiros” e para empresas que não lhe garantam a mesma qualidade de serviço e a mesma proteção do ambiente.

Para mais informação sugere-se a consulta do site do WEEELABEX em:

http://www.weeelabex.org/conformity-verification/operators/

Quem é a Renascimento:

A Renascimento – Gestão e Reciclagem de Resíduos, Lda, é uma empresa vocacionada para a Gestão global de resíduos, sendo uma referência no mercado da gestão global de resíduos, sobretudo pela originalidade da sua postura.

Constituída em 1995, e contando com uma equipa jovem e especializada, posiciona-se junto das mais variadas indústrias e serviços a nível nacional, atuando fundamentalmente na vertente da gestão de resíduos, através da disponibilização de formação ambiental, de um conjunto variado de atividades e serviços, nomeadamente operações de acondicionamento, transporte, triagem, tratamento e reciclagem de toda a variedade de resíduos.

Atualmente a Renascimento conta com cerca de 200 colaboradores e parceiros que continuamente recebem formação na área da qualidade, saúde, higiene e segurança no trabalho de forma a garantir a eficácia e eficiência dos serviços prestados.

De forma a suportar toda a sua atividade operacional de gestão global de resíduos a empresa implementou-se a nível nacional, possuindo unidade de receção, tratamento e gestão de resíduos em Lisboa, Porto e Faro.

De forma a garantir o controlo, a gestão e a melhoria contínua de todos os seus processos e áreas de negócio a empresa encontra-se certificada em Qualidade, Ambiente e Segurança pelas normas ISO 9001 e ISO 14001 e pela OSHAS 18001.

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