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Despesa em saúde pública diminuiu em Portugal entre 2000 e 2017

Agência Lusa/Observador

Portugal surge como um dos únicos quatro países da região europeia em que a percentagem da despesa em saúde pública se reduziu entre 2000 e 2017, segundo um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) esta quarta-feira divulgado.

No documento sobre o acesso equitativo à saúde, a OMS analisa 33 países e concluiu que, em 15, a despesa em saúde pública aumentou entre 2000 e 2017, enquanto noutros 14 se manteve dentro dos mesmos níveis.

Apenas quatro países da região europeia registaram uma redução na despesa em termos percentuais do seu produto interno bruto: Portugal, Irlanda, Hungria e Israel.

A OMS recorda que alocar maiores recursos à saúde pública pode ajudar a reduzir a falta de equidade no acesso.

Do conjunto dos 33 países analisados, a despesa em saúde pública representou entre 0,03% a 0,52% do Produto Interno Bruto (PIB). Portugal surge com menos de 0,2% do PIB investido em saúde pública em 2017.

O Conselho Nacional de Saúde em Portugal tinha divulgado em 2017 um estudo em que classificava como insignificante a verba pública aplicada em promoção da saúde e prevenção da doença no país.

A análise sobre os fluxos financeiros do Serviço Nacional de Saúde (SNS) indicava que os gastos em cuidados preventivos representam pouco mais de um por cento da despesa corrente do SNS.

Pobreza traz mais problemas de saúde

O mesmo relatório revela também que o lugar onde se nasce e se vive pode ter impacto logo nos primeiros anos de vida. A taxa de mortalidade infantil em 35 dos 53 países analisados mostra que, nas zonas mais pobres, morrem mais 41 bebés em cada mil logo no primeiro ano de vida. Em declarações à TSF, a própria autora do estudo, Christine Brown, admitiu o choque nestes resultados e não só em relação aos bebés. “Em quase 75% dos países analisados, a diferença entre a esperança de vida entre as regiões mais e menos desfavorecidas não mudou na última década e em alguns casos, a situação agravou-se”, disse.

Concluiu-se ainda que tanto em Portugal como noutros países do sul da Europa “as mulheres com rendimentos mais baixos apresentam os níveis mais elevados de uma saúde mental fraca”. ​Aliás, as mulheres com menos anos de escolaridade podem morrer até sete anos e meio mais cedo do que aquelas com maior grau de instrução. Nos homens, a diferença é ainda maior: entre três a 15,5 anos. Portugal surge como um dos países com maior esperança média de vida. Contudo, está longe de ser o país em que o nível educacional mais interfere na esperança de vida.

A OMS frisa que a redução das desigualdades em saúde é possível e visível mesmo num curto prazo, incluindo em governos de dois ou quatro anos. Redução da taxa de desemprego, aumento da proteção social e maior investimento público em saúde são algumas das políticas macroeconómicas sugeridas.

O relatório da OMS sublinha que muitos dos fatores que conduzem à falta de equidade em saúde não estão a ser corretamente conduzid

pelos países da região europeia. Por exemplo, quase 30% das situações de falta de equidade estão ligadas a condições de vida precárias, mas mais de metade os países desinvestiram em serviços comunitários nos últimos 15 anos.

O documento estabelece mesmo os cinco fatores que mais contribuem para o fosso nos indicadores de saúde. À cabeça surge a proteção social e apoio ao rendimento, contribuindo em 35% para as divergências de acesso à saúde. Em segundo lugar, com 29%, surgem as condições de vida, incluindo-se o acesso a habitação condigna, alimentação ou condições de segurança. As relações sociais e a rede familiar ou de apoio é também um fator que contribui para reduzir o fosso das desigualdades em saúde. A OMS identifica ainda o acesso ao próprio sistema de saúde, sublinhando níveis elevados de pagamentos que têm de ser feitos diretamente pelos cidadãos, que forçam muitas vezes as pessoas a escolher entre usar serviços essenciais de saúde ou outros cuidados básicos. Por fim, surgem as condições de trabalho, contribuindo com 7% dentro do conjunto dos cinco fatores que interferem nas desigualdades em saúde.

Fonte: Agência Lusa/Observador

Um em cada cinco portugueses adultos tem anemia

Para António Robalo Nunes, presidente do Anemia Working Group Portugal, “estamos perante um problema de saúde pública”. É ainda de referir que mais de 50% de todos os casos de anemia são causados por défice de ferro.

O ferro é um nutriente essencial para o organismo, para a saúde física e mental e para manter os níveis de energia adequados à actividade. A deficiência de ferro pode provocar vários sintomas, como por exemplo fadiga, tonturas, falta de ar, maior suscetibilidade para infeções, aftas, dores de cabeça, queda de cabelo, intolerância ao frio, etc. A anemia causada por deficiência de ferro tem um impacto significativo na saúde, aumentando o risco de morbilidade e mortalidade por agravamento de outras doenças subjacentes. Os doentes com anemia apresentam sintomas de fadiga e têm uma qualidade de vida reduzida quando comparados com doentes não-anémicos, tendo um impacto negativo na sua produtividade.

Para Robalo Nunes «é essencial sensibilizar a população para este tema, pois normalmente subvalorizam um dos sintomas mais comuns – a fadiga – associando-o a outras situações. No entanto, a deficiência de ferro ou a anemia, quando não é tratada poderão ter implicações sérias na qualidade de vida do doente».

Perante o diagnóstico o tratamento depende do que é mais adequado a cada situação e a cada doente.

“Existe um elevado risco para a saúde pública através do mau uso (de luvas)”

Ainda que a embalagem não seja perfeita, a regular e devida manipulação implica manter as luvas na caixa original até ao seu uso e concomitantemente, o seu descarte deverá ser efetuado em recipientes apropriados após cada atendimento ou procedimento, impondo-se a sua substituição sempre que exista mudança de tarefas ou de paciente/cliente, obstando (ou pelo menos, minimizando), a propagação de agentes patogénicos, com a decorrente segurança e bem-estar das partes.

Urge esclarecer que a penetração dos agentes de risco, na sua grande maioria, aumenta com o decréscimo da espessura da luva, visto que, há um aumento da respetiva porosidade, ao que acresce como fatores de risco a composição química do material, o tempo de exposição e concentração de determinado agente na solução de contato, tudo fatores que influenciam a velocidade de penetração. Igualmente, o calor e a abrasão afetam negativamente e gradativamente a performance e eficácia da luva enquanto agente de proteção. Realça-se que é durante o uso que pode ocorrer a quebra da integridade de barreira. Quanto mais abrasiva ou stressante for a atividade ou quanto maior o tempo de utilização, maior a taxa de falha. E o uso de um tamanho de luva inadequado potencia esta quebra de integridade.

A minha experiência na área da saúde permitiu perceber, que infelizmente, existe um elevado risco para a saúde pública através do mau uso, da ausência de conhecimento técnico do produto e do seu ciclo de vida inerente às operações de aplicação específica, pelo que, recomendo um olhar mais atento sobre estes produtos.

Porquê a necessidade de reforçar a inspecção no fabrico e utilização de luvas descartáveis?

As luvas cirúrgicas (luva estéril) e luvas para procedimentos não-cirúrgicos (luva não estéril), nacionais ou importadas, são classificadas como dispositivos médicos de “uso único” pelo que nunca devem ser reutilizadas e devem respeitar as normas nacionais. Estes EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) devem ter o CDM (Código de Dispositivo Médico) bem como o Certificado de Dispositivo Médico do Fabricante que são expedidos pelo órgão nacional competente em matéria de segurança em saúde_ INFARMED.

A regulação em saúde vem tomando espaço no controlo da entrada no mercado de diversos dispositivos médicos por se configurar como uma importante ferramenta para transpor desafios de segurança pública, no entanto, escapam a esta primeira barreira muitos artigos que contactam com o Ser Humano, direta ou indiretamente, potencialmente perigosos, tanto em termos de saúde como em termos ambientais. A heterogeneidade regulamentar e a diferente capacidade organizativa e inspectiva entre países produtores e países utilizadores também dificulta este controlo, pelo que sou da opinião de que os gestores, os utilizadores e o público em geral se devem manter informados, atuando juntos, exigindo qualidade e rigor nos produtos e nos requisitos de seleção e aquisição, tudo em busca da consolidação do sistema para um bom resultado das ações de atenção à saúde.

Devemos ser exigentes com o controlo de produtos como as luvas de protecção individual. Uma matriz de risco-beneficio adaptada a cada caso, constitui um cuidado essencial a ter na seleção e utilização das luvas descartáveis devendo, nomeadamente, para a área da saúde, consultar-se os termos da alínea a) do nº 2 do artigo 2º do Decreto Regulamentar nº 14/2012, de 26 de Janeiro, onde a Direção-Geral da Saúde, por proposta conjunta do Departamento da Qualidade na Saúde, do Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistência aos Antimicrobianas e da Ordem dos Médicos, verte os cuidados a ter na seleção do tipo de luvas (matéria prima de base e técnica assética), assim como as indicações clínicas.

Na área da saúde e cosmética, onde o contato com a pele humana do paciente/cliente é incontornável, as contaminações e alergias assumem particular relevância e são bastante frequentes. A OMS recomenda que os serviços de saúde selecionem, preferencialmente, as luvas sem pó, tanto para fins cirúrgicos como não cirúrgicos, baseando-se em fundamentos bem mais válidos do que a comodidade ou o preço.

A análise de riscos é necessária e tem, obrigatoriamente, de ultrapassar a mera análise da seleção correta do tipo da matéria-prima das luvas descartáveis e das suas especificações, visto que, muitas das luvas que circulam no mercado não são alvo de controlos apertados de qualidade. Existe necessidade de educar o mercado por via auditorias inspetivas ao processo produtivo de fabricantes de luvas cujas unidades produtivas não estão sediadas em território nacional (desconhecendo-se as instalações ou condições do seu processo de fabricação e embalamento), ou ainda, pela incidência de um controlo por amostragem, que vise a análise do produto em circulação, controlo este menos exigente que a inspeção mas que, sendo feito com frequência, permite distinguir os fornecedores que operam no mercado nacional e que estão genuinamente preocupados com a segurança de contaminação de microrganismos patogénicos ou agentes químicos nocivos, tanto para pacientes como para os próprios utilizadores .

Devemos observar outros mercados para percebermos, conscienciosamente, que em Portugal somos poucos exigentes quanto à qualidade das luvas, postergadas a uma banalização da sua importância enquanto fator impeditivo de propagação da crescente contaminação de microrganismos patogénicos ou agentes químicos nocivos que crescentemente se tem vindo a assistir nas unidades médico-hospitalares. A título de exemplo, saliento o mercado Americano e Canadiano onde se pode constatar a exigência legal a todos os fabricantes e distribuidores de luvas descartáveis, que ostentem o certificado “First Touch”. Este certificado garante que as luvas não tiveram qualquer contato com a pele humana em todo o processo produtivo, sendo que o primeiro contato apenas ocorre com o utilizador que extrai a luva do dispensador, mitigando assim o risco de contaminação ativa do produto. O certificado “First Touch” é já uma ferramenta utilizada por importadores portugueses de dispositivos médicos descartáveis, no entanto, constatamos a ausência de norma legal imperativa que tendo em vista a eliminação deste risco na generalidade da contratação portuguesa pública e privada, imponha uma certificação similar.

Deveremos, portanto, ter cuidados acrescidos quando se trata de matérias-primas e produto acabado oriundo de países asiáticos, de onde provêm perto de 90%  dos dispositivos médicos descartáveis comercializados em Portugal. Os hábitos e critérios de higienização poderão não ser tão exigentes como os padrões Europeus. Infeções da pele e tecidos moles causados por vírus, bactérias, fungos ou pequenos animais – que podem ser relativamente superficiais, como o impetigo ou atingir as camadas mais profundas da pele -, são muito comuns e por vezes altamente contagiosas. A nossa ignorância sobre os processos e condições de produção, introduz um fator aleatório que serve de véu às doenças que podem ser transmitidas por via das luvas, em especial pelas chamadas luvas de exame, não esterilizadas…

Na construção de uma matriz de risco, no processo de seleção e aquisição, além da escolha da matéria-prima das luvas e das especificações, deve ser contemplado o ciclo de vida do produto, aquilo que não se vê nem se lê, tal como a interferência dos operacionais durante o processo de fabricação. Considerem cenários como  feridas supurantes no braço, antebraço ou nas mãos, podendo depositar uma pequena quantidade de bactérias nocivas contaminando as demais luvas, que depois são transportadas para todos os utilizadores espalhados pelo mundo inteiro; um olho lacrimoso que o operacional esfrega manuseando posteriormente o produto acabado, o qual, numa fase subsequente será utilizado num paciente; operacionais que não higienizam as mãos nos intervalos de produção, com idas à casa de banho ou mesmo contato com materiais não higienizados potencialmente carregados com agentes nocivos e consequentemente transmitidos às luvas no embalar; operacionais infetados com algumas patologias comuns mas bastante infeciosas tais como lesões pelo vírus do herpes, HPV, impetigo, celulite infeciosa, candidíase, etc.

Quanto à seleção do material da luva, as matérias-primas atualmente mais comuns utilizadas no processamento de luvas descartáveis cuja utilização se destina a profissionais da área da saúde, cosmética e nos mais diversos tipos de Industria – onde as tarefas implicam contato direto com agentes nocivos ao ser humano ou potenciais agentes patogénicos -, são o Nitrilo, o Látex e o Vinil, e o Neoprene.

As luvas de borracha natural ou látex de borracha natural oferecem alto nível de proteção contra sangue e fluidos corporais potencialmente contaminados, têm grande força, elasticidade, flexibilidade e conforto. Devido a isto, o látex de borracha natural (particularmente o látex de baixa-proteína) é o material de escolha para luvas quando se lida com sangue e fluidos corporais, não devendo ser utilizadas no contato com óleos ou químicos orgânicos e corrosivos. A desvantagem deste material reside no fato de que alguns profissionais e pacientes desenvolverem sensibilidade e poderem apresentar reações alérgicas de gravidade mediana a grave, após o uso de luvas de látex.

A borracha não-natural fabricada a partir de um derivado do petróleo _ borracha nitrílica _ pode ser utilizada como uma alternativa ao látex, sendo igualmente indicadas no uso de agentes químicos, atento o fato de patentearem uma espessura mais elevada, mas são menos flexíveis do que as luvas de látex. As propriedades de barreira são definidas pelo fabricante e devem estar descritas nas especificações. Ao procurar comprar luvas de nitrilo, é importante obter os dados dos testes químicos do fabricante para as suas luvas, o que permitirá ao utilizador aferir se a luva que irá utilizar resiste aos produtos químicos com os quais vai manusear. Por exemplo, os profissionais de saúde que trabalham com medicamentos quimioterápicos devem garantir, que as luvas que usam resistem a esses produtos químicos agressivos.

As luvas de vinil são fabricadas a partir de cloreto de polivinil (PVC), um material sintético que é menos flexível, elástico, durável e possui menos conformidade com a mão do que o látex. Por isso, este tipo de luva não deve ser utilizado para uso clínico, porquanto, o vinil tem uma maior tendência a fazer micro perfurações durante o seu uso; no entanto, a luva de vinil livre de pó, por não conter proteínas do látex, é perfeita para o serviço de alimentos.

É importante salientar que tanto as luvas com látex, como as demais cuja composição o não contemple, podem desencadear dermatites de contato e hipersensibilidade tipo IV nos usuários de luvas. O uso apropriado de luvas depende da definição clara das responsabilidades individuais e organizacionais, considerando a sua composição e o produto a ser manipulado.

Por fim é importante que os gestores estejam cientes das condições de armazenamento das luvas, as quais, podem comprometer as suas propriedades físicas e consequentemente a segurança. Evitar situações em que a sua armazenagem não é segura ou apresenta condições inadequadas de temperatura e ambiente, controlar stocks, prazos de validade e fluxos para os serviços que as utilizam é uma função de gestão.

Verónica Gaspar

Gaivotas são um problema de saúde pública

© sol sapo

As “aves não são infelizes”, nem precisam que “se dê de comer à mão”, considerou Henrique Barros, presidente do ISUP, defendendo a necessidade de uma maior prevenção junto à população para que coloque o lixo urbano nos locais convenientes.

“Se as pessoas tivessem cuidado de colocar o lixo nos sítios em que deve ser colocado, e depois os municípios tivessem o cuidado de o recolher convenientemente, e se as pessoas não promovessem a alimentação à mão às gaivotas,” era uma forma de controlar o fenómeno, acredita aquele investigador na área da sáude pública.

O fenómeno da quantidade das gaivotas não é caso para alarmismos, mas a prevenção deve ser constante, reitera Henrique Barros.

“Não vale a pena fazer alarmismo, isto não é como o caso dos morcegos para aquela doenças infecciosas graves de África ou não é como a raiva. Não estamos a falar de coisas destas, mas é possível que havendo um grande desequilíbrio ecológico se criem condições para algumas dessas espécies [como as gaivotas] possam transformar-se em portadores de agentes infecciosos”, observou, recordando ainda a discussão em torno da “gripe das aves”.

“O que nós sabemos hoje em dia, isso é muito claro, é que quando mexemos nos equilíbrios ecológicos criamos problemas” e ao fazer essa mudança “criam-se condições para que possa ser introduzido ou que circule um agente que nós não estávamos à espera”, explica Henrique Barros, observando que as gaivotas deveriam andar a comer peixe no mar, mas não no lixo das cidades.

Um estudo científico revelou que as gaivotas que habitam no Porto tanto se alimentam de queques e carne na Baixa da cidade, como comem peixe ao longo do rio Douro até Pinhão (Vila Real) e vão à lota de Matosinhos.

Segundo a Sociedade Portuguesa de Estudos das Aves (SPEA), o aumento de ataques de gaivotas no Porto pode explicar-se com o crescente número de restaurantes perto do rio Douro, uma consequência da elevada procura turística naquela área.

LUSA

Zika, ébola, gripe A: aprender com os erros de comunicação

Dois membros da ajuda humanitária deram entrada num hospital do sul da Europa, depois de regressarem de um país da África subsariana. Tinham febre alta, dores no corpo e vómitos. O hospital não avançou causas possíveis, mas a mulher de um dos doentes não tardou a publicar o que tinha acontecido nas redes sociais. Só ao fim de três ou quatro dias o hospital conseguiu confirmar que se tratava de febre-amarela. E, só depois disso, o Ministério da Saúde e os institutos ligados à saúde pública reagiram.

Este é apenas um cenário apresentado durante um workshop sobre comunicação em situações de risco para a saúde, que decorreu na Alemanha, mas é um cenário possível. Duas grandes questões se levantam à partida: como é que os cidadãos vão reagir a esta notícia? E como é que as autoridades de saúde vão responder às preocupações das pessoas? Ou até, como vão responder às críticas por não terem reagido mais depressa?

As organizações de saúde, que têm comunicadores dedicados a lidar com comunicação de risco em situações de emergência médica, monitorizam o que vai sendo divulgado nos meios de comunicação tradicionais, como os jornais, mas também as questões que vão surgindo nas redes sociais, como o Twitter. Porém, febre, dores no corpo e vómitos são sintomas demasiado gerais para que sejam facilmente captados, no meio de todo o “ruído” das redes sociais, e são tão frequentes que não geram preocupação só por si, como explicaram vários dos representantes dos Estados-membros no workshop.

Mas assim que o hospital tem a confirmação de que se trata de febre-amarela são ativados os mecanismos de notificação a nível nacional e internacional e as instituições e ministérios ligados à saúde dentro da União Europeia vão receber esta informação para poderem agir em conformidade nos respetivos países. Aliás, a rede de comunicadores de saúde pública dos Estados-membros está constantemente em contacto, sabem que suspeitas e novos casos existem nos restantes países do grupo, mesmo quando essa informação ainda não chegou aos órgãos de comunicação social ou à população. E, nesse momento, ativam as respostas que terão de dar em cada caso específico.

Além de comunicarem entre si, as instituições de saúde têm pelo menos três grandes grupos a quem se dirigir: os profissionais de saúde, os jornalistas e o público. Cada um destes grupos precisará de informação específica, mas dentro do público em geral podem ser encontrados vários subgrupos que terão preocupações diferentes, que buscam informações distintas e que usam canais variados para a obter. Uma videoconferência com perguntas via Twitter pode funcionar com os jornalistas, mas, para chegar aos jovens, as instituições de saúde podem ter de optar por pequenos vídeos informativos na rede social Snapchat (com uma aceitação crescente neste grupo etário).

Ver imagem no Twitter

Assim que surja uma nova situação, os jornalistas, e os próprios cidadãos, vão exigir respostas das organizações de saúde que se devem esforçar por ser rápidos a responder e fornecer o máximo de informação possível naquele momento. Mas perante situações novas, a informação disponível num dado momento pode ser bastante diferente da que se dará uns dias ou semanas depois.

Quando o zika começou a preocupar

Basta pensar no surto de zika no Brasil. Apesar do número de casos de pessoas infetadas com a doença estar a aumentar, isso, só por si, não foi motivo para alarme porque a doença apresenta, normalmente, sintomas ligeiros. Só quando se começou a associar o zika com a microcefalia nos recém-nascidos, a perceção de risco aumentou, incluindo a nível internacional. Ainda sem certezas sobre se o zika causava microcefalia, as grávidas foram aconselhadas a não viajar para países onde o surto estivesse ativo. Esta recomendação, aliada à prevenção da picada do mosquito, eram as principais preocupações para viajantes. Agora, sabe-se que o zika, além de ter como forma de transmissão principal a picada do mosquito, pode ser transmitido por via sexual, o que fez com que novas recomendações sobre o uso de preservativo ou abstinência sexual fossem publicadas.

Transparência é um elemento-chave nestes momentos, como referiram os comunicadores presentes no workshop organizado pelo Instituto de Saúde Pública britânico (Public Health England). Os especialistas têm de fornecer o máximo de informação cientificamente validada, mas lembrar que há um nível de incerteza associado. Devem ser rápidos a prestar esclarecimentos, mas acrescentar que, à medida que a situação avançar, vão acrescentar novos elementos. Para situações novas, raramente (ou nunca) há certezas.

A audiência tem de sentir que quem está a comunicar sabe do que está a falar, que está a dizer a verdade, que compreende o que as pessoas estão a sentir e que está a agir de forma a garantir a proteção da saúde dos cidadãos. Se isto acontecer, as pessoas vão sentir-se confiantes na mensagem. E a confiança do público é um elemento-chave quando se trata de uma situação de risco para a saúde pública.

Ébola – aprender com os erros

Um dos problemas no combate ao ébola foi a dificuldade em comunicar com as populações locais. Na Serra Leoa, onde uma grande parte da população não confia no Governo, sobretudo depois da guerra civil que atingiu o país, colocar o Presidente a promover cuidados básicos sobre prevenção da contaminação teve o efeito contrário. Uma situação inesperada para as instituições internacionais no terreno.

Também a forma como a doença foi comunicada – mortal e sem cura – fez com que as pessoas não sentissem necessidade de ir às clínicas ou hospitais. Se iam morrer de qualquer maneira, mais valia que fosse em casa junto da família. Mais uma vez, esta reação foi exatamente o contrário do que os profissionais de saúde esperavam e foi mais um potenciador da transmissão da doença.

Conhecer as expectativas do público a quem é preciso fazer chegar a mensagem, conhecer os medos e as perceções de risco que têm e perceber em quem confiam são elementos-chave para fazer chegar a mensagem. Na Serra Leoa, como uma boa parte da população é aficionada do futebol, ter jogadores, como Cristiano Ronaldo ou Neymar, a transmitir as mensagens de prevenção mais importantes teve um efeito positivo. Durante o surto de ébola, foram identificados outros influenciadores, como líderes de grupos locais ou religiosos.

A campanha foi organizada em conjunto pela FIFA, Banco Mundial e Organização Mundial de Saúde.

Importante para os comunicadores e profissionais de saúde é, também, perceber que perceção de risco tem a população, porque esta perceção de risco pode ser muito diferente do risco real. Em relação ao ébola, no início do surto, as pessoas dos países da África ocidental não acreditaram que a doença era real – a perceção de risco era baixa, mas o risco era alto. Já na Europa, a perceção de risco era muito elevada, mas o risco real era mínimo. A comunicação com estes dois tipos de público tem de ser feita de maneira diferente, tendo em conta que as instituições de saúde não podem perder (ou têm de ganhar) a confiança da audiência.

Outro exemplo em que a perceção de risco e o risco real não são coincidentes é a gripe – a gripe sazonal e a gripe A. O surto de gripe A gerou pânico entre as pessoas em 2009, mas poucas foram as mortes causadas por esta doença. Já a gripe sazonal, que mata várias pessoas em toda a Europa todos os anos, não é vista como um risco real e as campanhas de vacinação não têm o sucesso que as organizações de saúde esperariam. Comunicar o risco real desta doença é difícil, até mesmo entre profissionais de saúde.

Sempre que as organizações de saúde estão a tentar passar uma mensagem à audiência e há especialistas (ou “pretensos especialistas”) que trazem uma mensagem contraditória, isso gera desconfiança e ansiedade nos cidadãos. O zika é mais uma vez um exemplo. Apesar de a Organização Mundial de Saúde apenas desaconselhar as viagens para a América do Sul para grávidas ou mulheres que pensem engravidar, um grupo de cientistas juntou-se para apelar a que os Jogos Olímpicos no Brasil fossem cancelados. A OMS discorda, cancelar os Jogos não vai diminuir o risco de a doença se espalhar a outras partes do mundo.

As instituições ligadas à saúde estão atentas às novas situações em saúde pública, mantêm as comunicações dentro da rede ativas e dão informação à população sempre que necessário. Mas, acima de tudo, esforçam-se por não lançar o pânico quando não existe razão para alarme.

O Observador esteve presente no “Workshop on targeting media, civil society and health professionals to the implementation of the Decision 1082/2013 on serious cross border threats to health”, organizado pelo Public Health England e financiado pela União Europeia.

Quase 60% bebem água da torneira e 12% têm tratamento “indesejáveis”

Uma das conclusões do inquérito aos hábitos de consumo de água dos portugueses, que será apresentado pela coordenadora do Departamento de Saúde Ambiental do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), Helena Rebelo, é que “12,4% dos inquiridos que consomem água da rede pública têm instalados sistemas de tratamento doméstico”.

Os responsáveis do trabalho alertam que “estes sistemas introduzem habitualmente alterações nefastas na água resultando num produto com deficiente qualidade higiénica ou com baixo valor alimentar, sendo, regra geral, supérfluos e indesejáveis”.

“A sensibilidade e os conhecimentos dos cidadãos relativamente aos vários aspetos relacionados com a qualidade da água nem sempre é a mais adequada o que pode levar muitas vezes a escolhas incorretas”, acrescentam.

Por outro lado, “3,8 % dos inquiridos consomem água de origens não controladas o que constitui um risco potencial para a saúde, caso estas águas não sejam controladas e corrigidas”.

O inquérito foi lançado online a 14 de fevereiro de 2014 e durante 18 meses recebeu contributos, obtendo um total de 757 respostas, das quais a maioria, ou 557, foram de mulheres, e os seus promotores referem que “os resultados obtidos representam apenas orientações uma vez que não são extrapoláveis para a população”.

Segundo as respostas, 35% dos inquiridos num estudo bebe diariamente entre meio litro e um litro de água e pouco mais de 30% consome entre um litro e 1,5 litros.

Quanto à origem, 96,2% dos inquiridos opta pela rede pública de distribuição (58,4%) ou água acondicionada (37,8%), o que é “garantia de acesso a uma água de qualidade”, a que se juntam 2,5% que consome água de fontanários públicos e 1,3% de captações particulares.

O estudo revela ainda que 8,1% dos inquiridos que consomem da rede pública registam alterações organoléticas, no aspeto da água, o que pode ser explicado pelo desenvolvimento de processos de corrosão no sistema predial pela instalação de tratamentos domésticos.

Aliás, a razão apontada por 40% dos inquiridos para instalar sistemas de tratamento relaciona-se com as alterações organoléticas, enquanto para 23,6% a decisão se deve à desconfiança na água distribuída.

Entre aqueles que bebem água engarrafada, 17,1% não variam de marca e o estudo salienta que “o consumo permanente de uma água com (muito) baixa mineralização não é desejável por ser um produto com fraco valor alimentar que poderá levar a estados de carência mineral”.

A apresentação dos resultados do inquérito vai decorrer durante as Primeiras Jornadas da Água: uma Questão de Saúde Pública” que decorrem hoje em Lisboa.

 

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