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Portuguesa Domótica SGTA vence prémio em encontro EcoXpert BMS realizado em Boston

No passado mês de outubro, realizou-se o encontro mundial de parceiros EcoXperts da Schneider Electric, o evento denominado de EcoXpert BMS Master Event teve lugar em Boston e contou com a presença de 35 empresas de 18 países. Portugal foi representado pelos parceiros Easycontrol, Microprocessador e Domótica SGTA, esta última vencedora na categoria de “Technical Innovation”. Uma distinção que visou premiar os melhores projetos implementados a nível mundial.

Inaugurada em 1988, a Domótica Sgta foi pioneira em Portugal na concepção, instalação e colocação em serviço de sistemas de controlo e gestão técnica em edifícios. Na base da sua atividade está a criação de soluções inovadoras de Gestão Integrada de Edifícios que consigam responder às necessidades dos seus utilizadores garantindo conforto, segurança e eficiência energética. A Domótica SGTA é um dos parceiros estratégicos da Schneider Electric e peça fundamental para a implementação de diversas soluções em solo nacional.

Fernando Ferreira, Ecobuildings Manager da Schneider Electric, referiu que “É com orgulho que vemos um parceiro Português em destaque pela inovação tecnológica, concorrendo com a solução implementada numa grande cadeia de supermercados, que teve origem numa parceira entre a Schneider Electric e o parceiro, tendo esta a particularidade de juntar EcoStruxure Buildings (BMS) com EcoStruxure Power (PME).”

No EcoXpert BMS Master Event para além da apresentação da evolução de produtos e soluções, foram criados grupos de trabalho, entre os diferentes parceiros, capazes de dar feedback sobre o atual estado do mercado. O concurso no qual a Domótica SGTA saiu vencedora na categoria de “Technical Innovation” premiou ainda outros três parceiros da Austrália, Estados Unidos da América e Hong Kong, nas categorias de “Achievement in Business Development”, “Partner of Distinction” e “Project of the Year” respectivamente.

Francisco Pombas, Diretor Geral, sobre esta distinção afirmou que “Este prémio reflete o trabalho que toda a equipa da Domótica SGTA tem desenvolvido desde o início da sua atividade. Fazer parte do programa de parceiros EcoXpert da Schneider Electric veio acrescentar valor às  nossas soluções e muito tem contribuído para o desenvolvimento, com sucesso, de diversos projetos a nível global”.

Sobre a Schneider Electric

A Schneider Electric lidera a Transformação Digital na Gestão de Energia e Automação em Habitações, Edifícios, Data Centers, Infraestruturas e Indústrias.

Com uma presença global em mais de 100 países, a Schneider é líder incontestável na gestão de energia – em Média e Baixa Tensão, Alimentação Elétrica Segura e em Sistemas de Automação.

Fornecemos soluções integradas e eficientes que combinam energia, automação e software. No nosso Ecossistema global, colaboramos com a maior Comunidade de Parceiros, Integradores e Programadores através de uma Plataforma Aberta para proporcionar controlo em tempo real e eficiência operacional.

Acreditamos que bons colaboradores e parceiros fazem da Schneider uma grande empresa e que o nosso compromisso com a Inovação, Diversidade e Sustentabilidade garantem que Life Is On em qualquer lugar, para todos e em todos os momentos.

LUSA

Konica Minolta apoia AEP Link

O Projeto AEP Link, que conta com o apoio da Konica Minolta, como parceira tecnológica, será apresentado no próximo dia 22 de novembro. O evento visa promover as práticas de cooperação e coopetição no tecido empresarial português em três regiões de convergência do país: Centro, Norte e Alentejo, atuando em três domínios críticos de competitividade: economia digital, inovação e investimento.

O lançamento deste projeto, dirigido a pequenas e médias empresas (PMEs), investidores ou facilitadores de negócios, será feito numa conferência em que serão debatidos fatores críticos de cooperação e Competitividade que afetam empresas contando com o contributo de Vasco Falcão, CEO da Konica Minolta para Portugal e Espanha que irá exemplificar como a Konica Minolta pode ser um parceiro tecnológico de referência em prol da competitividade.

De acordo com Vasco Falcão, “Este é um projeto muito importante para estas regiões e empresas. A liderança e a visão do mesmo foram os motivos que nos levaram a associar a esta iniciativa e estamos muito motivados para contribuir para uma mudança positiva. Termos oportunidade de mostrar às empresas presentes o valor que podemos aportar ao seu negócio num projeto continuado é para a Konica Minolta um reconhecimento da nossa capacidade como parceiro tecnológico de referência.”

O desenvolvimento do AEP Link inclui um roadshow composto por 12 eventos públicos, que se realizarão ao longo dos próximos 24 meses nas regiões Norte, Centro e Alentejo, e um evento de encerramento no início de 2020. O projeto contempla ainda a construção e disponibilização de um dashboard interativo para análise da performance empresarial nas diferentes NUTS III de Portugal, assim como a realização de um diagnóstico aos fatores críticos de competitividade nas PME, um diagnóstico à atividade e perfil dos investidores em Portugal e uma plataforma para registo das empresas e fomento das práticas de colaboração.

Para mais informações sobre o projeto consulte, por favor, o seguinte link: http://www.aeportugal.pt/

Sobre a Konica Minolta

A Konica Minolta, como líder em serviços abrangentes de TI, destaca-se pela sua filosofia de consultoria, implementação e gestão de negócios. Com origem japonesa, a Konica Minolta apresenta uma ampla gama de equipamentos e soluções de impressão, quer para o mercado office, como para o de impressão profissional, assim como soluções disruptivas de gestão documental para otimizar e automatizar processos de negócio, implementação de soluções em infraestruturas de TI, segurança, ambientes virtuais ligados na cloud, entre outros.

A inovação faz parte do ADN Konica Minolta, que aposta constantemente no desenvolvimento de novos produtos de acordo com as tendências do mercado. Através dos seus Business Innovation Centres, continua na vanguarda no que diz respeito à inovação trabalhando, continuamente, em investigação e desenvolvimento e através da colaboração com os seus clientes e parceiros.

Essa vertente inovadora tem resultado no reconhecimento por parte de entidades de renome, como é o caso da Key Point Intelligence, que atribuiu o prémio “2018-2019 Buyers Lab PaceSetter award for Smart Workplace Vision”, sendo que a Konica Minolta foi a única na indústria ser reconhecida com esta categoria.
Em Portugal, foi no ano de 2003 que a Konica Minolta Business Solutions Portugal adotou esta designação com a fusão entre a Konica e a Minolta. Representada pela sede em Lisboa, tem escritórios no Porto, Coimbra e Faro, contando com 200 colaboradores. Foi considerada uma das 100 melhores empresas para trabalhar em Portugal, pelo 3º ano consecutivo, e está concentrada na Transformação Digital dos seus clientes.

“Existem vários desafios nos processos de transformação digital”

A cibersegurança e a proteção de dados está hoje na ordem do dia. Sobre estas matérias, a Revista Pontos de Vista conversou com Miguel Jacinto, Coordenador Gabinete de Segurança da Informação do EUROBIC, onde ficamos a perceber que a cibersegurança e todas as questões em seu torno devem fazer parte da estratégia empresarial.

A cibersegurança tem sido uma prioridade naquilo que é definido como estratégia empresarial?

Numa economia cada vez mais digital e onde as fronteiras das organizações não são mais as que conhecemos desde há séculos, é normal que a Cibersegurança seja cada vez mais uma preocupação das organizações ao mais alto nível. Os clientes procuram cada vez mais os serviços digitais em detrimento do contacto tradicional. É uma tendência incontornável. As novas gerações nativas digitais já preferem os dispositivos digitais, os comandos por voz, a interligação entre as aplicações. Em pouco mais de 20 anos passámos de um mundo onde a internet era um privilégio de muito poucos para um mundo onde tudo assenta na utilização desse veículo de comunicação. Com a adoção de tecnologias baseadas na internet, as fronteiras das organizações passaram para o mundo digital que, em bom rigor, muitas pessoas e organizações ainda não compreendem verdadeiramente.

Com o aumento da exposição dos processos de negócio tradicionais às novas tecnologias e com a criação de novos processos e novas oportunidades de negócio baseados exclusivamente em novas tecnologias de informação, a “governance” tecnológica está também a mudar com as necessidades evidentes de adaptação das organizações, que se mostra, cada vez mais, não como uma opção, mas sim como uma obrigação. Neste contexto diria que existem claramente duas velocidades diferentes: uma é que está relacionada com a velocidade de evolução das novas tecnologias; e outra é a capacidade de adaptação das organizações que, na generalidade dos casos, é bastante mais lenta por razões estratégicas, comportamentais e até orçamentais.

Também nesta realidade se aplica a teoria da seleção natural de Darwin, onde claramente apenas sobrevirão os que se mais rapidamente se adaptarem às novas realidades e não aqueles que aparentemente são os mais fortes.

De que forma podem os clientes contribuir para uma melhor segurança informática dos seus dados?

O fator humano é absolutamente crítico para a segurança da informação das empresas. O triângulo pessoas, processos e tecnologia é considerado a base da segurança da informação e é nela que as organizações investem cada vez mais recursos, para garantir uma gestão eficaz e eficiente da segurança dos seus ativos de informação. As pessoas, tais como clientes, colaboradores e outros stakeholders, são um dos principais riscos das organizações devido à imprevisibilidade do fator humano. Apesar das inúmeras campanhas de Awareness empresarial direcionadas aos seus clientes externos e internos, verifica-se que em muitos casos os incidentes de segurança começam porque alguém acedeu indevidamente a um site, ou fez download de um ficheiro malicioso, ou colocou o seu cartão de crédito num site não seguro, ou deu os seus dados de acesso a um site que parece ser do seu banco, mas não é, etc. A imprevisibilidade comportamental dos utilizadores da informação, instrumentos de pagamento ou equipamentos informáticos, é um verdadeiro quebra-cabeças para as organizações que pretendem manter os seus ativos de informação seguros.

Por outro lado, os comportamentos maliciosos online não param de aumentar e estão cada vez mais evoluídos quer do ponto de vista técnico quer do ponto de vista de engenharia social. Os recursos disponíveis para os atacantes maliciosos são quase inesgotáveis, contando com uma relativa impunidade, ironicamente propiciada pelos mesmos meios técnicos criados para facilitar a vida às pessoas e às organizações. A utilização de um veículo virtualmente sem fronteiras, em muitos casos com poucas regras e altamente robotizado, permitindo atacar dezenas ou milhares de alvos ao mesmo tempo, torna o crime digital muitas vezes altamente rentável, o que faz com que haja potencialmente cada vez mais cibercriminosos.

Em face deste cenário cada vez mais real e porque todas as organizações pretendem interagir cada vez mais com os seus clientes de forma digital, é natural que as mesmas estejam cada vez mais preocupadas com a forma como os seus clientes tratam os seus próprios dados na nova economia digital.

No setor bancário esta preocupação é cada vez maior, dado que muitas vezes o comprometimento de dados pessoais, nomeadamente de credenciais de acesso a sistemas de pagamento, está diretamente relacionado com ações fraudulentas que podem ter impactos financeiros relevantes para os clientes e reputacionais para as organizações.

É verdade que o conhecimento dos clientes nestas matérias está a mudar, mas também é verdade que a economia digital está também ela a mudar muito rapidamente, pelo que a educação dos novos clientes digitais está cada vez mais na ordem do dia.

Todo o processo de evolução da transformação digital e das novas tecnologias acarreta novos desafios, quais merecem destaque?

Existem vários desafios nos processos de transformação digital. Mais uma vez podemos recorrer à base da segurança da informação – pessoas processos e tecnologia – para identificar os três principais pontos onde os desafios são mais significativos.

No caso das pessoas o desafio é evidente. As evoluções tecnológicas sucessivas dos processos de negócio têm ditado, desde a revolução industrial, o afastamento dos processos produtivos de classes etárias que não conseguem acompanhar essas evoluções. Esses ciclos de renovação são cada vez mais curtos e são cada vez mais evidentes à medida que a digitalização do trabalho acontece. Este cenário é ainda mais agravado quando assistimos à elevada automatização dos processos produtivos que por isso carecem cada vez menos da mão-de-obra humana, ficando para as pessoas apenas o papel de, por enquanto, supervisionar e não de fazer. Quanto aos processos de negócio a transformação digital tem um impacto significativo dado que altera radicalmente a forma de trabalhar. Exemplo disso é um processo de abertura de conta bancária em que deixa por exemplo de ser necessário assinar e rubricar contratos e condições gerais, para passar a ser apenas necessário recolher uma assinatura digital que garante as mesmas evidências jurídicas no processo de onboarding de um cliente. Os impactos e as interligações entre todos os processos internos de uma organização são por isso muito difíceis de quantificar. Relativamente à tecnologia e estando esta intimamente ligada aos restantes pilares da segurança da informação, os desafios são de diversos âmbitos. Diria que o mais significativo será garantir que todas as novas peças tecnológicas conseguem “falar” com as mais antigas. Com a evolução dos sistemas a acontecer de forma galopante, fazer com que todas as peças tecnológicas continuem a funcionar de acordo com o que e espectável, é um verdadeiro desafio. As aplicações e sistemas ficam legadas cada vez mais depressa e obrigam as organizações a avultados investimentos para a sua substituição ou manutenção. Quase todas as semanas saem novas versões, novas atualizações das existentes, novos modelos de máquinas, novos processadores, etc. É humana, técnica e até financeiramente impossível acompanhar esta velocidade de acontecimentos, sendo para isso mandatório que as organizações apostem em soluções estruturadas e com a maior durabilidade, de modo a mitigarem o mais possível o risco de obsolescência das suas ferramentas tecnológicas.

Além de uma tecnologia eficaz contra os possíveis ataques cibernéticos, falta fazer algo a nível de legislação? Qual é a sua opinião?

Diria que ao nível da legislação temos dois problemas. O primeiro é que claramente esta não acompanha a rapidez de evolução dos acontecimentos. Devido à natural interligação das diversas temáticas, os processos legislativos são mais burocráticos e por isso mais lentos do que a evolução dos acontecimentos. Muitas legislações carecem de discussões em sede própria e até de consulta pública, o que torna lenta a concretização dos processos legislativos. Depois temos as questões de aplicação transfronteiriça da legislação. Como já referi, o cibercrime não tem fronteiras, podemos ser atacados de ou através de outras geografias, em fusos horários, culturas e enquadramentos legislativos diametralmente opostos, pelo que aferir qual a legislação a aplicar em alguns casos é bastante difícil. Acresce ainda o facto de ser conhecido que alguns estados são particularmente ativos no patrocínio à guerra cibernética o que dificulta sobremaneira à identificação e mitigação de ciberataques nessas geografias. O caminho, que já vai sendo traçado, será optar-se por uma globalização do conceito de cibercrime, bem como pela via da cooperação institucional entre os países ao mais alto nível, de modo a que os processos de investigação sejam mais rápidos e eficazes.

 

 

 

 

Os desafios da transformação digital e cibersegurança

Vivemos numa era em que a informação que as empresas geram aumentou significativamente tanto em volume como em valor, tornando-se num dos seus bens mais valiosos e talvez aquele que é mais difícil de proteger.

Com a crescente necessidade de mobilidade por parte dos colaboradores das organizações a informação tem que estar disponível a partir de qualquer lugar, aumentado exponencialmente a superfície de exposição e os riscos associados a este facto aumentam também em número e complexidade.

As soluções cloud permitem às empresas uma enorme flexibilidade com custos inferiores aos dos sistemas convencionais, para além de serem mais resilientes a eventos disruptivos e há já uma grande percentagem de empresas com ambientes mistos entre sistemas alojados localmente interligados com outros alojados numa ou várias clouds. Esta mudança de paradigma faz com que deixe de ser importante proteger apenas o perímetro da rede onde está guardada a informação e passa a ser fundamental garantir a segurança de dados que estão espalhados por vários sistemas e clouds.

O aumento do número de dispositivos que recolhem, processam e trocam informação ligados a redes privadas ou publicas é outro fator de preocupação. O IoT (Internet das Coisas) vem permitir dotar equipamentos que tipicamente estão isolados de redes informáticas de uma interligação para que possam ser monitorizados, geridos, e operados remotamente, o que também os torna potencialmente vulneráveis a ataques. Com dispositivos desta natureza a serem instalados massivamente em veículos, hospitais, barragens, sistemas de saneamento, entre outros, o risco para a sociedade é real e não pode ser descurado.

A chave para mitigar os riscos e ameaças à segurança da informação e dos sistemas passa por implementa-los já com o tema da segurança da informação como requisito primordial desde o início. Tradicionalmente os sistemas eram desenhados tendo em consideração a experiência de utilização, a performance, e a segurança. Desde que esta última não afetasse nenhum dos anteriores. A segurança da informação deve ser um pilar base de qualquer sistema informático e não algo a pensar após este estar implementado, e a gestão de risco em termos de cibersegurança passa a ter que ser parte integrante da cultura organizacional das empresas modernas e não uma camada adicional às suas atividades.

 

 

Sensibilização para a importância da cibersegurança

O parlamento aprovou, na especialidade, o regime jurídico da segurança do ciberespaço, que transpõe uma diretiva europeia para a legislação portuguesa e visa reforçar a segurança nesta área nos Estados-membros. Fale-nos um pouco sobre este regime e sobre o que o mesmo acarreta.

O regime jurídico da segurança do ciberespaço prevê a necessidade de implementação de requisitos de segurança, bem como a obrigação de notificação de incidentes com impacto relevante nas redes e sistemas de informação das entidades da Administração Pública, dos operadores de infraestruturas críticas, dos operadores de serviços essenciais, bem como dos prestadores de serviços digitais. Aqui o desafio é reter este instrumento com o atual mecanismo de notificação e partilha de informação voluntária, que tão bem tem funcionado.

Para além disso, fica legitimada a existência de uma equipa nacional de resposta a incidentes de segurança da informação no ciberespaço (CERT.PT), que embora já estivesse operacional há alguns anos, tem agora a sua criação vertida numa Lei da AR, bem como do Conselho Superior de Segurança do Ciberespaço, com a missão principal de gerir e acompanhar a execução da Estratégia Nacional de Segurança do Ciberespaço, entre outras medidas.

Maria Manuel Leitão Marques afirma que existe a necessidade de se fazer mais pedagogia do que adotar uma atitude punitiva em relação à cibersegurança. O ponto fulcral nesta matéria é o humano?

Sem dúvida, não sendo a panaceia, é necessário manter as ações de sensibilização e de prevenção sobre cibersegurança, que alertem para a necessidade de não adotar comportamentos de risco no mundo virtual. Esta tem sido uma das principais linhas de atuação do CNCS, sendo que para isso, o CNCS promove cursos, como por exemplo, o Curso Geral de Cibersegurança, ações de sensibilização temáticas (feitas com alguma regularidade), ou externas, com entidades com as quais temos protocolo estabelecido. Também promovemos cursos de e-learning, como é o caso do Cidadão Ciberseguro (https://moodle.ina.pt/login/index.php), e participamos e dinamizamos conferências, como a conferência anual de cibersegurança – C-DAYS, workshops e/ou entre outros. De notar que esta atividade envolve toda a estrutura do CNCS, desde a Direção aos colaboradores mais técnicos. Em 2019 pretendemos levar estas ações para fora de Lisboa em parceria com alguns dos nossos parceiros.

“A cibersegurança é uma matéria de todos”, pelo que o objetivo é aumentar o conhecimento e a utilização de boas práticas de todos. Nós, utilizadores e colaboradores de organizações, sabemos “estar” no mundo da Internet?

Seria errado generalizar, mas há setores de atividade ou da própria sociedade que se encontram bastante bem preparados, e outros onde podem haver problemas significativos, que é necessário ultrapassar de modo coerente e sustentado. Aqui o importante é ter essa consciência.

Nos dias que correm existe um défice relevante no que respeita à perceção de que a segurança – ou a cibersegurança, tendo em conta que estamos a referir-nos ao ciberespaço – é algo que deve ser tido em conta durante todo o processo de negócio, por exemplo, quando falamos de uma organização que pretende atuar no mundo digital.

O que é nos diz a norma ISO/IEC 27032 sobre cibersegurança? Está, efetivamente, adaptada à realidade do mercado e da sociedade?

Relativamente a esta questão, o CNCS esclarece que normas ISO são orientações gerais, que necessitam de adaptação consoante as características da organização que a irá utilizar. O mesmo facto não serve uma grande empresa e ao mesmo tempo uma PME. O CNCS vai produzir um conjunto de referenciais normativos orientados ao contexto nacional e com uma geometria variável que acondicione diferentes realidades.

A transformação digital é um tema em voga. O que é urgente saber mais sobre esta temática, que está interligada a questões de segurança informática?

Todos os utilizadores do ciberespaço estão sujeitos a ciberameaças, com a transformação digital que vivemos ainda mais, e é neste sentido que se torna importante sensibilizá-los para o facto de existirem meios de prevenção e de resposta a ciberataques. Estes meios servem não só para dar a conhecer aos utilizadores quais os métodos que podem ser utilizados para adotarem comportamentos ciberseguros, como também para dar a conhecer as ferramentas de prevenção e de resposta a ataques informáticos.
Por exemplo, quando falamos em dois dos ataques comuns: ransomware ou phishing, considera-se um comportamento preventivo, que o utilizador verifique sempre se os e-mails ou SMS recebidos têm uma origem fidedigna e que este não faça download nem aceda a ficheiros e links fraudulentos.

É igualmente essencial conhecer a ameaça para melhor a mitigar. Estamos a dedicar uma especial atenção à Administração Pública, produzindo quadros de ameaça atualizados.

Quais são os maiores perigos que podem surgir para as empresas quando a proteção de dados, em termos informáticos, é negligenciada?

Desde logo um forte impacto reputacional. Quando a empresa assenta o seu negócio, maioritariamente, online, esta quebra de reputação pode significar a extinção da empresa. Por outro lado, a entrada em vigor do Regulamento Geral de Proteção de Dados vem impor severas coimas perante o seu incumprimento.

Poderão as empresas continuar a ignorar a Transformação Digital?

Business concept on tablet with hologram

Bem implementada, a digitalização envolve muito mais, do que um simples acrescentar ou substituir softwares e máquinas. É uma profunda transformação que reinventa a estratégia e processos da empresa completamente. A tecnologia é apenas um meio para atingir um fim – para facilitar a transformação.

Ao abordar a digitalização desta forma, as empresas vão adaptar-se mais facilmente a um ambiente em mudança constante. As empresas mais pró-ativas, vão colher os frutos da Indústria 4.0, cujo desenvolvimento se intensificará nos próximos anos. Apesar de muitos líderes da indústria ainda o verem como um desafio muito complexo, é na verdade uma oportunidade para libertar o potencial criativo da base industrial em Portugal, desde que as empresas comecem a transformar as habilidades e o conhecimento das suas equipas o quanto antes.

OS DADOS ALIMENTAM  A CADEIA DE VALOR

Com a globalização em ascensão, a digitalização facilita a partilha entre cadeias de valor cada vez mais fragmentadas. As empresas estão a expandir os seus departamentos de criação, desenvolvimento de produto e produção para diferentes regiões geográficas, isto é especialmente visível em setores altamente internacionalizados, como o da Moda (do luxo ao pronto-a-vestir) e do Automóvel. Para permitir que as equipas internacionais trabalhem juntas o mais efetivamente possível, há apenas uma solução: plataformas digitais que incorporem dados confiáveis e completos, acessíveis em tempo real por todos os envolvidos no processo de trabalho. Estas ferramentas são ainda mais relevantes, pois as empresas precisam de estruturar uma série de dados de várias fontes e utilizá-los em todos os departamentos da empresa.

No mercado atual os clientes esperam mais: personalizar o artigo encomendado, recebê-lo de imediato, conhecer a sua origem, etc. Isto, por sua vez, implica que cada etapa do ciclo de vida do produto, de uma ponta à outra da cadeia de valor, tenha de se acelerada, garantindo a rastreabilidade de cada modelo comercializado. Uma vez mais, a chave está na partilha de dados, sem falhas e imediata entre as pessoas, organizações e soluções envolvidas.

A PRODUÇÃO ESTÁ A TRANSFORMAR-SE

As tecnologias digitais são especialmente cruciais na etapa da produção. As fábricas estão a ficar mais inteligentes e conectadas, adquirindo um papel central na cadeia de valor.

Uma fábrica 4.0 é conectada internamente (produtos, máquinas, pessoas, processos, todos comunicam), bem como, com todo o ecossistema de parceiros, subcontratados e distribuidores. Não esquecendo os próprios consumidores, que estão cada vez mais envolvidos no design dos produtos.

Essa fábrica também é inteligente. Máquinas com sensores transmitem dados continuamente, que quando analisados, permitem a máxima qualidade, eficiência e retorno do investimento. Mais próxima do que nunca da eficiência operacional, a fábrica 4.0 também adquire a flexibilidade necessária para se adaptar a pedidos alternados de alto e baixo volume, pequenos lotes ou até mesmo o feito-à-medida. Esta produção transformada permite uma variedade de modelos económicos sem precedentes.

COMO SE ENCAIXAM OS SERES HUMANOS NESTA IMAGEM?

No gabinete de design, a tecnologia liberta a criação de inúmeras restrições. Com as soluções 3D atuais, ou mesmo realidade virtual ou aumentada, um universo sem limite de criação está a abrir-se para as equipas de design. Os departamentos de desenvolvimento de produto estão também capacitados com ferramentas altamente efetivas e ergonómicas, para desenvolver rápido e melhor os produtos esperados pelos consumidores. Os designers podem, a partir de agora, dedicar-se totalmente à sua principal missão: criar.

À medida que a fábrica recupera a importância na cadeia de valor, o mesmo acontece com o papel das equipas que nela trabalham. As máquinas inteligentes substituem os seres humanos para remover tarefas repetitivas, e acompanham-nos na sua atividade diária para que possam alinhar os seus papéis e trazer valor acrescentado onde a sua contribuição é insubstituível.

Seria um erro subestimar o impacto destas mudanças, todavia benéficas, na definição das profissões: a aquisição de novos conhecimentos e habilidades é fundamental à sua transformação digital bem-sucedida. Assumir o controlo das tecnologias da era digital é uma oportunidade das empresas se projetarem serenamente na quarta revolução industrial. As mais perspicazes vão antecipar-se, repensando a forma de abordar o desenvolvimento pessoal das suas equipas.

Artigo de opinião, Lectra

Informantem aposta forte na reestruturação em áreas tecnológicas para continuar a crescer

Criada por António Trincheiras em 1996, o mercado era um universo muito diferente daquilo que é hoje, sendo que a informática era uma realidade muito distante do que conhecemos atualmente e sem metade das opções que hoje existem, nomeadamente a nível empresarial.

“A informática ainda não fazia parte do quotidiano das pessoas e a empresa foi criada para gerir e manter o coração das organizações”, conta Pedro Gil, Presidente do Conselho de Administração, que está desde 2006 na empresa. “em 20 anos tudo mudou e a Informantem adaptou-se de uma forma muito peculiar, mas sustentada, alinhando-se aos seus parceiros de forma a crescer para acompanhar o mercado e as suas tendências”.

De olhos postos fora de Portugal

E cresceu. Tanto que, para além de Portugal, já está de forma sólida em Angola e Moçambique. Ainda este ano, a empresa tecnológica entrará em Cabo Verde e Abu Dhabi. “Vamos replicar o modelo com que abordámos em anos anteriores os projetos de Angola e Moçambique”, afirma o administrador.

Apesar de uma forte aposta em contratar recursos locais e apoiar o desenvolvimento dos países onde opera, as equipas multidisciplinares contam com uma concentração de processos de monitorização e operação a partir de Portugal, operando esta base como uma espécie de centro de excelência. “Portugal funciona como um centro de concentração de competência, onde diariamente se idealizam, desenham, monitorizam e suportam todas as operações de todos os países em que estamos presentes”.

“Foi preciso mudar a estratégia para um crescimento sustentado”

A empresa tem tido uma evolução exponencial, criando competência com um portefólio muito abrangente, que abraça as mais importantes valências das tecnologias. Pedro Gil explica que essa é a mais-valia e ao mesmo tempo o maior desafio da empresa uma vez que “o mercado está muito ativo e por isso torna-se difícil contratar, manter o talento e a maturidade a nível organizacional. Ao longo dos anos temos vindo a trabalhar numa contínua adaptação ao mercado e por isso mesmo temos vindo a reestruturar e a adaptar os nossos processos internos, bem como a nossa oferta”.

 Além da criação de novas áreas, a aposta em alguns segmentos passa por uma estratégia de incorporação. “A nossa estratégia passa por isso, neste momento, pela aquisição de empresas. Queremos agregar na nossa capacidade, áreas que consideramos estratégicas e que para a nossa base de clientes é essencial. Dessa forma sabemos ser possível continuar a corresponder às expectativas do mercado”. Forçosamente a reestruturação também acontece com os fabricantes em que a estratégia desenhada diminuiu a lista outrora mais extensa. Atualmente os parceiros eleitos da Informantem são fabricantes como a HPE, Microsoft e Cisco nas áreas de Valor e HPi, Lexmark e Lenovo na área de Workplace. O pretendido é cada vez mais conquistarem o reconhecimento de todos pelo trabalho que atualmente, diariamente, mais de 200 colaboradores desenvolvem, trabalho esse que se estende pelas mais diversas áreas entre as quais se destacam a aposta na segurança de informação, os serviços geridos e o datacenter. “Ao longo dos 20 anos a evolução da nossa empresa foi centrada nos clientes, com quem temos relação diária num expectro de dispersão nacional e de quem cuidamos e mantemos mais de 120 mil equipamentos de forma permanente, a partir do nosso Centro de Atendimento que atua numa lógica de 24h por dia.”

Os números, todos os anos, revelam o crescimento sustentado que têm alcançado uma vez que têm crescido a dois dígitos desde há anos. “O nosso crescimento é ponderado e como principal prioridade temos sempre os nossos clientes. Esperamos fechar este ano com uma faturação na casa dos 28 milhões de euros”.

Reconhecimento e projetos que falam por si

Aos 20 anos de existência, decidiram mudar a imagem corporativa. Uma imagem forte e simples como se pede à própria empresa. Essa imagem, associada a um período de uma maior exposição da marca Informantem permitiu à empresa ser, hoje, mais reconhecida pelos seus principais parceiros de negócio bem como pelos seus clientes. “Hoje, a Informantem é uma empresa reconhecida a nível nacional e internacional”, conclui o administrador.

Mantendo o lema de sempre “perto de si”, Pedro Gil diz que cada cliente é único e que por isso cada projeto também o é. “Somos alfaiates de soluções”. A filosofia da empresa passa, essencialmente, por manter as coisas fáceis para todos, incluindo os fabricantes e distribuidores que atuam como parceiros, com uma postura de confiança e de olhos postos no futuro. “keep IT simple” é o mote que move a diferença e a dedicação dos colaboradores da Informantem.

Há mais de 20 anos presentes no mercado continuam a mostrar uma competitividade e solidez que nem a crise conseguiu abalar. Assumidamente como integradores de soluções à medida de qualquer necessidade, a Informantem soma e segue num setor que, apesar de volátil, se tem mostrado aliciante e com desafios 100% ao alcance da empresa.

Informantem: A tecnologia perto de si

Sediada em Lisboa, a Informantem é hoje um dos principais fornecedores nacionais de soluções de tecnologias de informação. Com a dedicação e empenho de uma equipa de profissionais, a Informantem fornece soluções e serviços especializados, alinhados com as estratégias dos principais fabricantes de Hardware e Software.

Por sua vez, Daniel Passos, juntamente com a sua equipa, assume um papel preponderante na empresa, reformulando-a ao nível das soluções e das tecnologias de informação.

Designer de processos de segurança e um apaixonado pelas tecnologias, Daniel Passos afirma que é tudo menos contra o desenvolvimento tecnológico. “Sou sim a favor da sua aplicabilidade consciente. A nossa sociedade e as gerações mais novas não entendem o quão vulneráveis estão com todo este desenvolvimento tecnológico”, refere o tecnólogo.

Quanto à reformulação da Informantem, esta processou-se a nível do catálogo de serviços orientados para as soluções e tecnologias que estão a ser introduzidas na empresa. “Temos um leque alargado de serviços em termos de manutenção, por isso mesmo impunha-se fazer um «shift» para fazer face a toda esta dinâmica da transformação digital. Nós próprios transformámos os nossos serviços, acrescentando novas plataformas, novas soluções e novos serviços no nosso catálogo, de forma a modernizá-lo para continuar a garantir a confiança que os nossos clientes depositam em nós e para reforçar a segurança e integridade da informação, bem como o reforço das defesas a ataques cibernéticos”, explica Daniel Passos.

No entanto, reforça que a segurança e a proteção dos seus clientes já é algo intrínseco à empresa, o que se reflete na confiança dos clientes na Informantem como uma entidade segura. De facto, a Informantem tem implementado e certificado um Sistema de Gestão de Segurança da Informação em conformidade com os requisitos da norma de referência ISO/IEC 27001 na prestação de Serviços de Housing, Hosting, Backup e Disater Recovery. Caso de sucesso e orgulho é o facto de o Datacenter ter sido projetado para proporcionar ao cliente vantagens a nível de rapidez e segurança. O total controlo de acessos e monitorização garante uma disponibilidade total.

Assim, passo a passo, a Informantem vai redirecionando a sua atuação no mercado, explorando novas áreas e disponibilizando novas soluções.

Contudo, é importante consolidar áreas de negócios já trabalhadas pontualmente pela Informantem, bem como consolidar as ofertas com base nas ofertas dos fabricantes. A Informantem, com uma estratégia fortemente direcionada para um vasto portefólio de fabricantes, redirecionou-se agora para um grupo mais restrito de fabricantes, de forma a garantir a especialidade dos seus produtos e serviços. Estamos a falar de parceiros como a HP, HPE, Microsoft ou a Cisco. “Trata-se de um modelo de consolidação da oferta e de especialização porque estamos a trabalhar com a tecnologia mais emergente destes fabricantes neste momento”, adianta Daniel Passos.

A visão orientada para o cliente, aliada, à experiência e uso de normas internacionais, tais como ISO 9001, 14001 e 27001, permite à Informantem ser um integrador de referência nos diferentes setores de mercado.

“TUDO, SEM UMA ESTRATÉGIA, PODE CRIAR FRAGILIDADES”

Quando questionado sobre se a transformação digital veio trazer tudo o que há de bom, mas também o que de menos bom há, Daniel Passos explica que tivemos um crescendo galopante no que diz respeito à transformação digital, portanto, “o bom e o mau é relativo”. “Estamos é muito mais vulneráveis por não termos acompanhado de uma forma tão próxima todo este crescendo. O bom e o mau já existe há muito tempo, e o crime informático também. Hoje estamos é mais expostos e vulneráveis ao ciberataque devido ao avanço das tecnologias”, acrescenta.

E mais. A adoção de tecnologias mais recentes, sem que haja uma direção e uma estratégia, pode fragilizar a empresa para eventuais ciberataques. Aliás, “tudo, sem uma estratégia, pode criar fragilidades”, alerta o nosso entrevistado.

É aqui que a Informantem se diferencia, por definir soluções e estratégias adequadas a cada empresa. “Somos alfaiates de soluções. Cada negócio deve ser analisado, estudado e ter um pensamento estratégico, não só no âmbito da cibersegurança. Defendo que esta boa governança deva existir em todos os modelos. Essa sim é uma forma correta de estar no mercado, adequando as soluções às necessidades e capacidades das organizações”, adianta Daniel Passos.

CIBERATAQUE: ERRO HUMANO?

Podemos afirmar que o ciberataque deve-se, na maioria das vezes, a um erro humano? Daniel Passos é reticente a esta questão. Não sabe se o desconhecimento é um erro, mas sim que, nos dias de hoje, com o fácil acesso à informação, a falta de uma consciencialização é um erro humano. “Por outro lado, somos demasiado “preguiçosos” e facilitamos o caminho para o ciberataque quando, por exemplo, colocamos as mesmas passwords em diferentes sites ou quando aceitamos termos e condições sem, verdadeiramente, as ler. O homem, por natureza, cria ferramentas de segurança, mas ele próprio acaba por se colocar numa posição de vulnerabilidade”, diz-nos. Explica, ainda, que hoje a segurança da informação e sua a consciencialização deve ser o mote das organizações, essencialmente para quem está na gestão de topo e “que adquire soluções de cibersegurança, mas que acaba por não estar verdadeiramente consciencializado sobre as vulnerabilidades”.

Por sua vez, relativamente à proteção de dados e com a entrada em vigor do novo Regulamento Geral de Proteção de Dados, Daniel Passos também tem uma posição bem vincada. “O Regulamento Geral de Proteção de Dados atualiza uma lei que já tem 20 anos pelo que urgia, com esta transformação digital, sofrer uma reformulação”, elucida. Mas, mais uma vez, também este tema está intrinsecamente relacionado com consciencialização. Consciencialização essa que passa por gestos tão simples como “tomar precauções quando andamos com o nosso telemóvel com o wifi ligado ou com as passwords gravadas”.

“Concordo que hoje o RGPD é olhado com mais cuidado, mas porque traz consigo a aplicação de coimas. Não sei se traz algo de novo, mas coloca à luz do dia aquilo que deve ser enaltecido. Os direitos do cidadão, a segurança e tratamento dos dados pessoais ou os direitos da propriedade intelectual é algo que já sabemos há muito tempo. Agora se a consciencialização não muda, o regulamento apenas trará coimas pesadas”, acrescenta Daniel Passos.

Neste domínio, a Informantem está consciente da importância de divulgar mais informação, pelo que está a desenvolver e a ministrar workshops por todo o país para apresentar as vulnerabilidades que o desenvolvimento tecnológico acarreta.

Informantem: Há mais de 20 anos no mercado

A Informantem, Informática e Manutenção, é um distinto fornecedor nacional de soluções e serviços de Tecnologias de Informação (TI). Há mais de 20 anos no mercado, é uma empresa competitiva e sólida, que garante, conjuntamente com os maiores fabricantes de Hardware e Software, soluções e serviços de Tecnologias de Informação adequados a cada cliente.

Falemos do novo RGPD e de transformação digital!

“A gestão dos sistemas de informação é, mais do que nunca, um tema chave nas empresas”. Porquê?

Nas duas últimas décadas, as grandes empresas criaram cargos específicos para pensar, desenvolver e gerir tecnologia e sistemas de informação, e gestão dos sistemas de informação é, mais do que nunca, um tema chave, seja micro, pequena, média ou grande empresa. Esta necessidade não tem diminuído, muito pelo contrário, tem aumentado especialmente no grau de cobertura da influência e intervenção dos sistemas de informação das empresas.

Se há pouco mais de 25 anos despontava em Portugal a utilização da internet, primeiro nas universidades e grandes empresas, hoje em dia não existe praticamente negócio ou atividade que de alguma forma não a utilize, seja para se promover, para interagir com clientes e fornecedores ou mesmo sendo esta a única razão da sua existência.

Ainda que com cada vez com mais particularidades de empresa para empresa, a necessidade de uma consciencialização e visibilidade dos sistemas de informação cresce de dia para dia. Seja por imposição legal (comunicação digital com os diversos organismos estatais) ou pois imposição de clientes e fornecedores, é praticamente uma utopia pensar ou ter a ousadia de pensar que se pode ter um negócio de venda de produtos ou prestação de serviços sem um computador ou um e-mail.

Consideremos o seguinte facto, de acordo com a IDC, mesmo num momento de crise foram em 2015 movimentados perto e 140 biliões de Dólares em sistemas e informação, seja em Cloud computing, mobilidade, internet das coisas, realidade aumentada, Big Data e várias outras tendências.

A constante evolução dos sistemas de informação não para de nos surpreender, sendo esta área profissional a que maior taxa de atualização requer, estando nós a caminhar muito rapidamente para uma cada vez maior especialização, consideremos as seguintes áreas que estão em maior destaque / evolução:

  • Segurança da informação:

Não só está em voga com o RGPD (Regulamento Proteção de Dados) mas também com a consciencialização que a informação é a nova moeda de troca. Recorde-se os recentes escândalos que chegaram ao conhecimento publico como o da Cambridge Analytica e o Facebook, ou ainda o caso Edward Snowden e as fugas de informação e utilização indevida de dados.

Os cada vez mais crescentes casos de Ransomware (nos últimos 3 anos cresceram a um ritmo de vertiginoso de quase 50%) nas quais várias empresas nacionais ficaram praticamente paradas várias horas no dia perdendo milhares de Euros.

Mas podem os pequenos empresários pensar, ok, mas a minha empresa fatura 25k por ano, e os meus clientes estão num raio de 50Km, como é que isso me afeta? Afeta, todos, já não podemos pensar que as nossas empresas são ilhas não são! Parem e pensem um pouco, num dia de trabalho quantas interações fazemos com informação que nos chega no momento? Se por qualquer que seja a causa, ficar sem internet, computador 4 horas num dia o que pode fazer?

Se tiverem a possibilidade de ter um equipamento de segurança ligado à vossa ligação à internet e abrirem a janela de interações em tempo real ficarão surpreendidos com as tentativas de acesso indevido a informação e sistemas.

  • Gestão da informação

O termo é este mesmo, quanto tempo do nosso dia passamos a filtrar e catalogar informação? Quantos e-mail recebemos por dia? Quantos indicadores, números, estatísticas temos acesso em segundos?

Centenas!

Façam o seguinte exercício, tentem executar uma tarefa simples, como responder a esta entrevista por exemplo, com o telefone e o e-mail com motivações ativas e sem!

Extrapolemos então para tomada de decisão na sua empresa, expandir para outra região? Contratar mais pessoas? Abrir uma nova loja? Em que se baseiam estas decisões…. Em informação! Obter a informação necessária e concisa é chave!

  • Cloud computing

Adaptando um termo antigo, “é fácil, é barato… E pode poupar milhões”

Cada vez mais as empresas tendem a virtualizar infraestrutura e sistemas é um grande negócio tanto do ponto de vista económico (redução de custos por não haver necessidade de manter um exército físico de toneladas de “ferro” na empresa), mas também de segurança da informação, entre outros aspetos.

O Cloud computing, tem crescido exponencialmente especialmente por parte das pequenas e médias empresas, que veem na virtualização uma excelente forma de competir de igual para igual com grandes empresas do mercado, do ponto de vista da TI.

Ah e o termo Cloud computing já era… agora é somente Cloud!

  • Automação

Sim, automação, e não estou a falar da indústria! Parem nas vossas empresas e observem a quantidade de pessoas fazem dia a dia, hora a hora as mesmas operações!

Não é um tema de 2018, já há algum tempo, empresas de todas as dimensões e segmentos veem na automação um passo muito importante para agilizar a comunicação nos processos de negócios, minimizar custos devido a erros manuais e ineficiência, melhorar a produtividade, otimizar e realocar recursos entre outras vantagens.

Nos últimos cinco anos, a automação deixou de ser um discurso é uma realidade em todos os segmentos de negócio realmente interessados em melhorar resultados e antecipar os desafios de mercado, sobretudo no que diz respeito à competitividade e eficiência que fazem toda a diferença.

Se estas 4 tendências são suficientes para lhe chamar a atenção, pensem no seguinte:

“Os sistemas de informação são o que lhe permite ligar todos os processos administrativos, operacionais e estratégicos da sua empresa”

O Novo Regulamento Geral de Proteção de Dados entrou em vigor no passado dia 25 de maio, que desafios trouxe com ele?

A resposta a este tema está em construção, é um tema “novo”, é algo nunca visto e por isso histórico e sem história para nos podermos inspirar.

Até hoje não havia muita preocupação nas PME’s (e algumas grandes empresas também) no fluxo de informação dentro da organização. Sim existam restrições, limitações ao acesso, mas não era difícil obter informação que à partida não devêssemos ter acesso… e o que depois se fazia com esta informação… não sabemos!

O conhecimento? Quando é que começaram verdadeiramente a tomar conhecimento e consciência? Há meses certo? Quantas vezes não foi noticiado ou anunciado que o regulamento entrou em vigor a 25 de maio de 2018! ERRADO! O regulamento foi o resultado de 5 anos de negociações entre os estados membros da EU e que culminou neste regulamento em vigor desde 25 de maio de 2016!

Assim o maior desafio é recuperar o tempo (e não disse perdido) e fazer um choque cultural empresarial nos países do sul da Europa, este regulamento tem como maior desafio para as PME’s uma rotação de 180º na forma como recolhem, tratam, protegem e destroem a informação.

Assisti a várias empresas, nos dias antes ao 25 de maio de 2018 a alocaram recursos a esvaziarem pastas e destruírem papel e ficheiros que mantinham porque…sim!  E a resposta à pergunta que se colocava sobre o motivo de manter a informação era tão portuguesa “Pode dar jeito” …

Só esta abordagem, per si, levanta um conjunto extremamente complexo de desafios e uma enorme disciplina para cumprir.

Há também uma clara falta a de noção da necessidade e importância do DPO (Data Protecion Officer). Este poderá ser nomeado entre os próprios funcionários da empresa ou ser um profissional externo, cujo vínculo será criado por meio de um contrato de prestação de serviços.

Dentre as atividades que deverão ser desempenhadas pelo DPO destaque-se o aconselhamento sobre as normas vigentes relativas à proteção de dados pessoais, o monitoramento do cumprimento do GDPR pela entidade a que está vinculado e a cooperação com as autoridades públicas supervisoras da norma.

Como o DPO deve possuir notório conhecimento acerca da legislação e da prática relativas à proteção de dados, sendo um colaborador interno ou externo, é inegável o poder decisório que tem de ter e é aqui que residem as maiores dificuldades, tem-se assistido à tentação de posicionar o DPO dependendo não diretamente da administração, o que pode ser um erro uma vez que esta função não pode de forma alguma sofrer qualquer tipo de influência ou pressão mesmo da própria administração.

Embora a relevância do papel do DPO ainda não tenha sido testada na prática, este será uma peça-chave no desenvolvimento de atividades empresariais relacionadas à recolha e tratamento de dados pessoais em um futuro muito próximo.

Doravante quais têm de ser as principais prioridades das empresas relativamente a este assunto?

Questionar-se e Organizar-se!

Não nos iludamos não vamos deixar de receber e ter acesso a informações pessoais, contudo a necessidade de categorizar, sistematizar e restringir a informação é a principal premissa.

Seja começando pela revisão (ou escrita) de Políticas de Sistemas de Informação, Acordos de confidencialidade, aquisição de sistemas de segurança (Firewalls) atualização de sistemas de CRM e ERP, revisão de ferramentas e permissões de partilha de ficheiros internos às redes, as empresas têm principalmente de cuidar do que fazem e como fazem com os nossos dados e especialmente como a informação navega. Quem não enviou já ficheiros Excel com dados de colaboradores!

Mas antes mesmo têm de interiorizar a necessidade e a oportunidade que o RGPD apresenta para as empresas se organizarem em termos de processos. A cultura lusa do “logo se vê” ou do “desenrascar” não é compatível com esta necessidade de estruturar processos, dados e no fundo a empresa. Estamos, e vamos continuar a assistir a um processo de mudança que vai encontrar vários pontos de resistência, reclamação e sabotagem.

O desafio principal é fazer embarcar toda a equipa pelo lado positivo que implica esta transformação.

Há meses tomei conhecimento de uma empresa que organizou uma atividade empresarial em 2 dias num hotel, para facilitar a logística de check-ins no hotel dos mais de 200 colaboradores, os recursos humanos enviaram para o hotel a lista de funcionários com a morada pessoal, email e telefone num ficheiro Excel desprotegido! Esta ação não tinha qualquer intuito malicioso, mas sim de simplificar, mas o que está em causa aqui:

  • Ninguém na empresa autorizou o envio dos dados para o Hotel
  • A informação foi enviada sem qualquer proteção, qualquer pessoa na receção do hotel poderia ter acesso a estes dados

Nota: quanta vezes não se envia um ficheiro protegido com password… esse inclui a password no email em que o ficheiro vai anexo!

Os principais conselhos que dou, quando questionado são:

  • Rever/escrever procedimentos internos e “Reeducar-se”;
  • Ter registos de todos os dados pessoais acedidos (log), sejam estes digitais ou físicos;
  • Dar acesso só a quem efetivamente necessita para desempenhar as suas funções;
  • Se não necessita da informação, destrói (Neste ponto atenção à legislação sectorial em vigor que tem prazos de manutenção de dados diversos).

Enquanto consultora na área da tecnologia, que maiores lacunas apontam em questões como cibersegurança nas empresas?

Desconhecimento, e desinvestimento!

Pode parecer ousado “simplificar” desta forma, mas reduzindo aos denominadores comuns, são mesmo estes. As maiores quebras ou negligências de segurança resultam da ideia de que só acontece aos outros e que é caro!

Esta resposta pode ser uma “colagem” de pontos já mencionados em questões anteriores.

Ainda recentemente estava a demonstrar a um colaborador novo a firewall de um cliente e o tráfego em tempo real que monitorizada e este ficou surpreendido com a quantidade de “linhas vermelhas” que apareciam… sim eram bloqueios de tentativas de intrusão!

A proliferação de papeis com impressões com dados pessoais, a proliferação de ficheiros (Excel, Word, etc…) nos computadores pessoais e em pastas de rede sem qualquer proteção é assustadora! E é cultural!

A maioria dos empresários pensa que basta ter o antivírus do computador atualizado e que estão protegidos. Não investem em firewalls, soluções de proteção contra phishing ou ransomware ou ate em soluções de backup!

As maiores resistências que se assistimos residem na necessidade de investir 5.000€ na aquisição de uma firewall, mas não hesitam em despender 25.000€ em atividades sociais de “team building”, não me interpretem mal é importante manter a coesão e o bom ambiente empresarial, mas se toda a empresa ficar refém de ransomware … a empresa pode desaparecer ou ter de desembolsar 5x mais para retomar o controlo.

Não estamos formatados para a privacidade e proteção, é um processo moroso e que deveríamos ter aproveitado a oportunidade que o RGPD traz e ter começado há 2 anos.

Ainda no dia 25 de maio passado estávamos a receber pedidos de proposta para “Tratar do RGPD”, e quais foram sempre as primeiras respostas que obtivemos? “É preciso isso tudo?” ou “é muito caro” ou ainda “Não vou investir, logo se vê”.

Não é só o RGPD, mas toda a gestão de sistemas de informação que é, muito mais que o desejável, vista como um custo nas empresas levando a que não se aloquem os recursos e orçamento necessários para possibilitar uma efetiva gestão e segurança dos sistemas, esta é a oportunidade para se dar a devida relevância e espaço destaque aos sistemas de informação.

Quais são os maiores riscos que podem advir da negligência do tecido empresarial para com temas como estes?

Recordo um professor de economia empresarial na faculdade que dizia “Uns fazem o pó, outros comem o pó”. O que pretendo dizer com esta frase é que se não fazemos um esforço para nos mantermos relevantes, competitivos e seguros rapidamente deixamos de ser relevantes.

O primeiro desafio será, não ficar para trás e arriscar desaparecer. Não nos podemos enganar, estamos perante uma nova realidade em que a segurança é tão importante como um bom produto ou serviço.

Pensem há 10 anos atrás quais eram os maiores problemas com que se lidava, vírus, ficheiros infetados com macros maliciosas. Há quando tempo não ouvimos falar disso? Nos últimos 5 anos o que estava (e ainda está com níveis de perfeição cada vez melhores) é o phishing, mais recentemente é o ransomware. Não é preciso estar na linha da frente em termos de segurança, mas tem obrigatoriamente de haver uma parte do orçamento da empesa para investir na continuidade da empresa.

Outro grande risco é a irrelevância como consequência da estagnação, ficar preso no passado. Há empresas que adotaram como estratégia estar o menos possível “ligados”, é uma estratégia válida, mas arriscada especialmente se olharmos para a geração dos nossos filhos que estão eles próprios “ligados” a tecnologia e internet, eles são os nossos clientes e consumidores de amanhã se a minha empresa está ligada, para eles não existimos. Então tenho de estar ligado, mas de forma segura e objetiva.

Podemos ainda ter de ligar com fuga de informação e capital humano ou incapacidade de atrair recursos válidos. Uma empresa organizada, atenta e dinâmica que se protege tão bem (ou melhor) como se promove tem maior controlo (e o controlo total é a utopia, enquanto humanos forem parte dos sistemas) sobre a sua informação e sistemas esta, mas apta para ser competitiva e melhorar a sua marca a imagem e consequentemente reter talentos.

Numa altura em que a transformação digital começa a fazer parte do léxico empresarial, na sua opinião, o que é importante saber sobre este tema?

Os novos pregões da transformação digital, a tao falada nova revolução industrial, a indústria 4.0 assustam muita gente. Muitos empresários e gestores tentam não abordar o tema por puro desconhecimento, contudo há que desmistificar o tema.

Não e um “bicho papão”, o que é então a transformação digital, não é mais que olhar para dentro da empresa, ser crítico sobre todos os processos e ações quotidianas e perguntar-se, “Isto tem de ser feito assim?” é tomar consciência do que é o meu negócio e partindo daqui recorrer à tecnologia para melhorar o negócio. Parece simples, e na primeira camada é!

Daqui advém um sem número de desafios, sendo o principal, ter uma visão clara e objetiva para onde quero ir. Para onde quero levar a empresa e como vou lá chegar.

A transformação digital não é só um termo moderno para dizer que vale a pena investir em Facebook ou Google Ads ou algo do tipo.

A transformação digital a última etapa de um processo muito maior, que é chamado de progresso tecnológico que é constituído por três fases principais:

Digitização – processo de transição de informação analógica para uma forma digital.

Digitalização – Bem mais abrangente, consiste nas mudanças reais realizadas nas organizações por meio da tecnologia.

Transformação digital – que é descrita no progresso tecnológico como “o efeito total e geral da digitalização na sociedade”.

Seja num simples processo de compras em que logo na encomenda ao fornecedor se identifica digitalmente no ERP qual o departamento que está a fazer a compra, evitando mais a frente no processo a navegação física ou por email de faturas do fornecedor internamente para identificação do departamento para alocação de gastos. Na possibilidade de emitir faturas do ERP e enviar as mesas digitalmente para os clientes (reduzindo custos com correio e desculpas de não receção das mesmas), a transformação digital pode começar por aqui.

Para além desta visão interna, também a existência da empresa digital, a empresa no mundo digital, é outro grande tema. As novas gerações, os nossos clientes e consumidores de amanhã, cresce rodeada de dispositivos digitais. Portanto, eles serão quem mais vai exigir esta existência.

Mitos a desmistificar

  1. É tema apenas para empresas tecnológicas

É muito fácil ficar atrás do pensamento de que a transformação digital só deve acontecer para empresas que já nasceram em um contexto digital, como e-commerce, SaaS e outros negócios “nativos digitais”.

Não é por acaso que existem tantas ferramentas, pagas ou gratuitas, disponíveis para praticamente qualquer tipo de iniciativa digital que se consiga imaginar.

Quem é utilizador do Office 365 recue 18 meses atras e reveja a evolução nas ferramentas que têm vindo a ser incluídas para ajudar a digitalizar os processos empresariais? Foram bastantes, têm vindo a ser disponibilizadas muitas ferramentas de produtividade que permitem digitalizar processos na empresa, fomentar a colaboração online e aumentar a eficiência.

  1. Tudo se resume a experiência do cliente

A transformação digital não se resume em criar a melhor experiência do cliente possível. É, mas não só.

A transformação digital é um processo que precisa estar disseminado e enraizado na empresa, então naturalmente não se resume à experiência do cliente.

  1. A transformação vem de iniciativas pequenas

Uma mudança tão grande precisa de liberdade e exemplos vindos de cima, promovendo a mudança e patrocinando a sua implementação.

Assim, a empresa poderá mudar de forma organizada e eficiente e os colaboradores entenderão o que se espera deles nessa transição.

  1. Quem vai realizar a transformação são os sistemas de informação

Os sistemas de informação têm de estar muito bem estruturados para garantir o nível de atuação que uma empresa digital precisa. Mas isto está a anos luz de fazer recair esta responsabilidade nos sistemas de informação

Tem de haver uma mensagem clara por parte de gestão sobre o que se pretende, e aí se tomar a decisão de fazer acontecer internamente ou recorrer a parceiros externos.

A única afirmação possível é, sim têm de fazer parte do processo!

  1. É possível esperar para ver?

A necessidade de inovação, em todos os sectores é premente, quem optar por esperar pode reagir tarde demais.

Vejamos o exemplo da agricultura, é um dos setores que mais rapidamente tem adotado tecnologia para prever possíveis dificuldades, otimizar processos, e assim, obter melhores resultados.

Isso mostra que não importa o setor de atividade, arriscado mesmo é adiar essa mudança.

  1. Basta desenvolver várias iniciativas digitais

Este pode ser o maior engodo que a gestão pode perseguir, sem integração estratégica das mesmas, não estamos a fazer transformação digital, estamos a ficar pelo segundo passo a Digitalização Empresarial.

Para que embarquemos verdadeiramente na transformação digital temos de visualizar o futuro digital do negócio, detetando as possibilidades há para desmaterializar o negócio e partir para o investimento em iniciativas digitais e novas capacidades, tornando este ciclo com uma rotina quotidiana e cultural da empresa pois a transformação digital é uma jornada contínua. É mais um vértice do planeamento estratégico da empresa que tem de ser liderado por si Sr. Gestor!

Mobilidade reimaginada: A orquestração dos novos sistemas e serviços de transporte

A promessa de digitalização faz-nos acreditar ser possível.

Na interseção do big data com a inteligência artificial, com a estatística e o machine deep learning, podem aplicar-se diferentes métodos de análise de dados para definir algoritmos que recriam padrões comportamentais e preditivos. São ferramentas poderosas para melhorar o design e a modelação dos nossos sistemas de transporte, para otimizar a sua performance, para racionalizar recursos e gerir ativos. A conetividade, o business intelligence, o desenvolvimento de plataformas tecnológicas e aplicações móveis, trazem o serviço feito à medida, em tempo real e o dom da ubiquidade. Veículos autónomos, veículos conetados, Mobilidade as a service, sistemas cooperativos, multimodalidade, mobilidade partilhada e on demand, são apenas algumas das novas expressões do transporte.

E tudo começa no Data que, tal como a mobilidade, não conhece fronteiras. Essa camada digital que se sobrepõe a tudo o que nos rodeia, como um véu invisível, interconecta todos os elementos e acrescenta novas dimensões à realidade do transporte.

Mas a digitalização não deve ser um objetivo em si mesma se quisermos reimaginar a Mobilidade.

Um sistema digital de transporte requer pensar de forma horizontal, em camadas que atravessem os diferentes modos de transporte e, também de forma integrada, tendo em conta os vetores da energia e das telecomunicações.  Para além disso, requer parar de pensar de forma separada no veículo, no seu percurso e na infraestrutura que o suporta. Uma visão de transporte inteligente e sustentável deve conseguir integrar estes três componentes e permitir que estes sejam permeáveis aos fluxos de dados, considerados relevantes para uma politica de mobilidade mais limpa, segura e eficiente. Esta visão interconectada é frequentemente comparada a uma abordagem IoT (Internet of Things) aplicada aos sistemas de transporte. De uma forma muito simplificada pretende-se construir uma camada de informação suportada numa camada base de dados. A partir dessa informação pode produzir-se conhecimento. E o conhecimento apoia a decisão e permite estabelecer as ações necessárias para implementar uma determinada visão. Mas para se poder passar dos dados à ação, é necessário criar primeiro uma visão clara do que se pretende implementar.

Reimaginar a mobilidade passa por criar essa ‘visão’ e definir os passos para a alcançar.

Se nos centrarmos no contexto rodoviário, em muitos aspetos, os veículos de hoje já são dispositivos conectados. Num futuro próximo, espera-se que possam interagir diretamente uns com os outros (vehichle to vehichle communications – V2V) e com a infraestrutura (Vehichle to Infrastructure communications – V2I). Essa interação é o domínio dos Sistemas Cooperativos de Transporte Inteligente (C-ITS). Este elemento cooperativo pode contribuir significativamente para a segurança rodoviária, para a eficiência do tráfego e para o conforto de condução, ao auxiliar o condutor a tomar melhores decisões e a adaptar-se a diferentes condições do tráfego de forma mais informada e dinâmica. Pode parecer-nos longínquo este futuro mas depois do anúncio da Volkswagen[1], no verão do ano passado, é expectável que já a partir do próximo ano 2019, os veículos sejam produzidos com crescente graus de conetividade e automação e que estes estejam cada vez mais presentes no nosso dia a dia. Depois deste primeiro passo, outras grandes marcas farão o mesmo, tal como a Toyota[2] o veio confirmar recentemente.

Os sistemas C-ITS são hoje uma realidade. Mas, para que a mobilidade possa colher os benefícios da digitalização, é importante compreender que o período de coexistência, destes com outros tipos de veículos nas nossas estradas, será longo. É também importante compreender que estes veículos equipados com tecnologia C-ITS serão, em certa medida, ‘computadores conectados sobre rodas’. Enquanto tal, as regras de trânsito (sejam elas estáticas ou dinâmicas, obrigações ou recomendações), os esquemas de circulação e os sinais de trânsito, terão de ser digitalizadas e traduzidos em ‘linhas de código’ para poderem ser convenientemente interpretadas pelos veículos. Estas ‘regulamentações eletrónicas’, serão essenciais para o suporte e desenvolvimento de funções avançadas de condução autónoma. Mas não só. Serão também essenciais para assegurar que a política de mobilidade das cidades se possa traduzir numa gestão mais cooperativa e integrada dos diversos tráfegos provenientes de sistemas (eventualmente concorrentes) de transporte. A interação do domínio dos Sistemas Cooperativos de Transporte Inteligente não deve assim ficar circunscrita aos veículos e à infraestrutura.  Deve refletir-se na orquestração dos diversos sistemas e serviços de mobilidade. Isto significa por em prática de forma colaborativa, quando necessário, as medidas adequadas de gestão de tráfego, procurando conciliar as necessidades de mobilidade individual com a salvaguarda do interesse coletivo.

Se imaginarmos a mobilidade do futuro como uma ‘orquestra’ de diferentes sistemas de transporte, cada um capaz de tocar o seu próprio instrumento, será necessário seguir uma ‘pauta’ para se conseguir ouvir musica. De outra forma a mobilidade transformar-se-á num ruído ensurdecedor. A combinação dos diversos sistemas deve, quando necessário, poder contribuir de forma sincronizada, precisa e harmoniosa para reproduzir uma determinada melodia. A chamada ‘instrumentalização’ dos sistemas de mobilidade. Combinações de diferentes sistemas para diferentes situações. A musica é o resultado da coordenação e colaboração e a ‘pauta’, o elemento que interliga os diferentes sistemas: algoritmos de negociação, colaboração e integração que tornam possível passar dos dados à ação.

A visão de um mundo onde tudo está conetado (everything, everyone, everywhere) não tem de ser incompatível com a diversidade de opções, a liberdade de escolha e a governação descentralizada dos sistemas, mas a ‘orquestração dos serviços de mobilidade’ vai exigir um ‘maestro’. O elemento neutro que não toca nenhum instrumento, mas é essencial à música. Um papel que indiscutivelmente ficará sob a alçada do setor público.

Esta é uma oportunidade sem precedentes para as cidades se reinventarem.

Torna-se assim evidente que na reinvenção das cidades, o foco do investimento deverá deixar de estar apenas concentrado na camada da infraestrutura física (na estrada ou o veículo) e ser orientado para a criação da infraestrutura digital que contém dados estáticos (e.g. mapas digitais ou regulamentos de tráfego) e dados dinâmicos (e.g. informações de tráfego em tempo real). Esses dados devem ser usados para desenvolver uma camada de serviços e aplicativos inovadores que são disponibilizados, através de tecnologias digitais, às diversas redes e sistemas de transporte. É por isso necessário acelerar a disponibilização e facilitar o acesso dos dados de transporte e garantir que a troca e reutilização de dados se faz a favor dos princípios de uma mobilidade mais segura, limpa e integrada. Ao estabelecer-se a arquitetura digital devem considerar-se os standards referenciados no enquadramento legal da Diretiva Europeia de ITS e subsequentes Atos Delegados[3] (DATEX, SIRI, NeTEX, TAP-TSI, IATA, INSPIRE, TN-ITS), para se garantirem interfaces adequados, interoperabilidade e continuidade de serviços num ecossistema de dados, que se pretende eficiente e seguro.

É esta a lógica subjacente à criação da rede Europeia dos Pontos de Acesso Nacionais[4]. A porta de entrada para digitalização do transporte.

O setor público deve assumir a liderança na condução destes novos serviços digitais e abraçar os diferentes desafios. Ao envolver-se, irá adquirir competências e clarificar visões. Ao estabelecer um plano deve procurar desenvolver uma abordagem faseada. A implementação passará por desenvolver abordagens modulares, escaláveis, replicáveis para se assegurar a interoperabilidade. Desenvolver pilotos e provas de conceito, estabelecer parcerias com outras entidades publicas, nacionais ou europeias, é fundamental para obter apoio e orientação. E é importante compreender que os ciclos de vida e o ritmo da inovação tecnológica no setor das telecomunicações não se compadecem com os do setor da mobilidade e do transporte. As tecnologias de telecomunicações fazem-no em ciclos de dois a três anos, enquanto os sistemas de transporte tendem para um horizonte temporal que pode variar de cinco a 15 anos tendo em conta, por exemplo, a taxa de renovação de frotas, a vida útil dos pavimentos ou a dos dispositivos de segurança e equipamentos de sinalização.

Em vez de soluções devem procurar-se caminhos. Dada prioridade à definição dos objetivos que se pretendem alcançar. É importante desmistificar a glorificação da tecnologia.  Sem uma visão, estaremos perdidos na vastidão incomensurável do big data e sujeitos às soluções de outros. Devem equacionar-se novos modelos de governação e contratação, mais orientados à avaliação do desempenho dos serviços, numa lógica de performance contracts, smart contracts e definição de SLA’s (service level agreements). As métricas, as disponibilidades, capacidades e os KPI’s (key performance indicators) dos diversos sistemas, devem ser desenvolvidos em parceria com os respetivos providers, para se poder assegurar um adequado acompanhamento e monitorização.

A tecnologia é apenas um meio para atingir um fim: para reimaginar a mobilidade.

Numa cidade ‘inteligente’, os diversos sistemas de transporte estão interligados numa camada digital, e podem esperar-se maiores graus de interação entre os diversos tipos de veículo e os sistemas de gestão de tráfego. Os veículos estabelecem comunicação entre si e com a infraestrutura e desta forma pode dar-se prioridade a determinados tipos de transporte, em determinados períodos do dia e em determinados percursos, considerados prioritários; por exemplo a serviços de emergência, em rota para um hospital; ou a um veículo de combate de incêndios na resposta a um incidente.

Salvam-se vidas.

Numa cidade ‘inteligente’ pode-se repensar o conceito de transporte público. Tendo acesso à procura de transporte, em tempo real, podem definir-se rotas variáveis ao longo do dia e garantir melhores índices de ocupação e contribuir para uma gestão mais eficaz e diversificada das frotas. Pode dar-se prioridade ao transporte publico em hora de ponta e sugerir rotas alternativas aos restantes veículos na estrada. Pode ainda, segmentar-se a procura por destino e distribuí-la pelos diversos sistemas complementares (bus, metro, tram, shared, on demand, modos activos…), tendo em conta as capacidades disponíveis, naquele momento. A segmentação da procura pode ser espacial ou temporal. A alocação de slots temporais conjugada com atribuição de determinados percursos, para os diversos tipos de veículos na estrada (públicos ou privados) pode contribuir para a modelação da procura de transporte e para a diminuição do congestionamento. A combinação de conceitos de transporte partilhado, on demand e com subscrição mensal pode constituir-se uma solução potencialmente interessante, não só nas cidades, como nos pequenos aglomerados urbanos e áreas rurais, porque torna a mobilidade mais acessível, personalizada e inclusiva. E é uma das mais promissoras áreas de aplicação para os sistemas conectados e autónomos.

A mobilidade é acessível, inclusiva e sustentável.

Nas cidades ‘inteligentes’, veículos pesados de mercadorias podem ser encorajados a seguir determinados percursos por via da atribuição de incentivos diretos que se fazem sentir na poupança de combustível ou do tempo de percurso. A implementação do Green light optimized speed advisory (GLOSA), permite-lhes percorrer a uma velocidade recomendada, um determinado percurso com diversas interseções semafóricas, cujo ciclo de verde vai abrindo à sua frente, de forma sequencial e coordenada. E ao reduzir o número de paragens, reduzem-se também de forma significativa, as emissões poluentes.

Numa cidade ‘inteligente’ sabe-se, em tempo real, a disponibilidade do estacionamento e se a oferta for menor do que a procura, a cidade sabe direcionar-nos para os seus interfaces modais ou para estacionamentos periféricos. Poupa-se tempo, energia e ganha a qualidade do ar. A interligação dos diversos sistemas de transporte e a multimodalidade resolvem as questões do first e do last mile. Percursos (routing) as a service; Mobilidade as a service; Gestão de tráfego as a service;  Infraestrutura as a service passam a ser a norma.

A mobilidade é orientada ao serviço, é integrada, eficiente e limpa.

Obviamente que reimaginar a mobilidade pode muitas vezes levar-nos a falar do que não se sabe. Algum ceticismo, bom senso e um espírito crítico podem ser bons aliados para distinguir os visionários dos videntes.

Uma certeza, porém, no centro de tudo isto deve estar o interesse do utilizador final do sistema: Nós.

[1] https://www.volkswagenag.com/en/news/2017/06/pwlan.html

[2]http://pressroom.toyota.com/releases/toyota+and+lexus+to+launch+technology+connect+vehicles+infrastructure+in+u+s+2021.html

[3] https://ec.europa.eu/transport/themes/its/road/action_plan_en

[4] https://ec.europa.eu/transport/themes/its/road/action_plan/nap_en

OPINIÃO DE PEDRO BARRADAS

PEDRO BARRADAS

(linkedin.com/in/pedro-barradas-82a03930)

O Autor exerce funções de perito nacional destacado na Unidade B4 – Sustainable & Intelligent Transport da DG MOVE-Mobility and Transport da Comissão Europeia. Sem prejuízo do princípio da transparência e sublinhando, para os devidos efeitos, o disclaimer da Comissão Europeia, em nenhum caso o perito nacional destacado poderá representar a Comissão para assumir compromissos financeiros, ou de qualquer outra natureza, nem para negociar em nome da Comissão. O perito nacional destacado não pode representar nem comprometer a Comissão face ao mundo exterior.

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