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Universidade de Coimbra promove ISOC 2019 – Internacional Sustainable Ocean Conference

Nesta 1.ª edição da ISOC, inserida no âmbito do projeto CentroAdapt e sob o tema “Adaptação às Alterações Climáticas: desafios ambientais, sociais e económicos do século XXI”, a discussão será centrada nas oportunidades de desenvolvimento de novas pesquisas científicas, soluções e produtos para o combate e adaptação às alterações climáticas, com especial foco em três temáticas: Ecossistemas Marinhos, Construção Sustentável, Qualidade Ambiental.

Em simultâneo decorre, na Praça do Forte, a “FigueiraSea, Sustainable Expo Alliance” (www.figueirasea.com), uma feira do Mar e da Sustentabilidade, patente até 28 de setembro de 2019.

Durante dois dias de sessões plenárias, workshops, atividades de networking, e exposições, participantes de todo o mundo irão analisar o estado-da-arte, apresentar descobertas científicas e soluções tecnológicas de adaptação às alterações climáticas, discutir os seus riscos e impactos, mas também identificar novas oportunidades de negócio e crescimento económico sustentável.

A Sessão de Abertura está agendada para as 18h00 do dia 25, na Praça do Forte, e conta com a presença já confirmada do secretário de estado da energia, João Galamba, do secretário de estado do Ambiente, João Ataíde, do presidente da Camara Municipal da Figueira da Foz, Carlos Monteiro, do reitor da Universidade de Coimbra, Amílcar Falcão, da presidente da CCDR Centro, Ana Abrunhosa, do presidente da Associação Comercial e Industrial da Figueira da Foz, Carlos Moita e do diretor do Centro de Ciências do Mar e Ambiente (MARE), João Carlos Marques.

São esperados mais de 100 participantes, incluindo membros de vários organismos das Nações Unidas e ONGs, decision-makers nacionais e internacionais, investigadores e académicos, centros de I&D e de Inovação, policy-makers, empresários líderes do sector, analistas, business angels, investidores, estudantes, empreendedores, startups e PME.

A participação nas sessões plenárias e workshops é gratuita. A confirmação obrigatória deve ser realizada até ao dia 20 de setembro em www.isoc2019.com/registration/

Editora científica internacional distingue artigo sobre investigação da Universidade de Coimbra

“Este novo sistema permite a impressão de peças metálicas de grandes dimensões, em vários ângulos e planos, de forma muito mais simples e rápida”, explica a UC, em comunicado enviado à agência Lusa.

O artigo sobre o projeto desenvolvido pela UC em parceria com um investigador de Instituto Tecnológico para a Indústria da Noruega (SINTEF), foi distinguido com o galardão Emerald Literati Award.

“Este prémio é um reconhecimento internacional, ao mais alto nível, da qualidade e novidade do trabalho que temos vindo a desenvolver nesta área muito competitiva em termos internacionais”, refere o comunicado.

O artigo “Advances in robotics for additive/hybrid manufacturing: robot control, speech interface and path planning” é “um dos trabalhos mais excecionais que a nossa equipa leu em 2018”, justifica a editora Emerald, no anúncio da distinção, citada na nota.

Entre as principais mais-valias da investigação, está o facto de dispor de “seis eixos de movimento (o dobro da performance das impressoras 3D tradicionais) e de um software de simulação em tempo real (que evita a necessidade de executar sucessivas tentativas, até se obter um objeto com as características pretendidas)”.

“A nossa estratégia foi a de reunir uma vasta e muito competente equipa internacional, de forma a ser possível realizar contribuições que nos permitam liderar o desenvolvimento científico e industrial nesta área”, refere Norberto Pires, professor do Departamento de Engenharia Mecânica da FCTUC, também citado no comunicado da UC.

“Este trabalho alertou grandes empresas internacionais, o que é muito importante e estratégico para a UC, pois só assim poderemos demonstrar a nossa capacidade de influenciar decisivamente os grandes desafios tecnológicos do século XXI)”, salienta o investigador, acrescentando que tem de se ter “presente que a manufatura-aditiva é uma das tecnologias chave da nova revolução industrial (indústria 4.0)”.

Cientista de Coimbra recebe bolsa Marie Curie para estudo inovador do autismo

A investigadora do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da UC Catarina Seabra “acaba de obter uma bolsa individual Marie Sklodowska-Curie” (da Comissão Europeia), que irá “aplicar no desenvolvimento de ‘mini-cérebros’ tridimensionais (3D) de origem humana que permitam estudar o autismo de forma inovadora”, anunciou hoje a UC.

O estudo vai ser desenvolvido ao longo dos próximos dois anos, no âmbito do projeto ‘ProTeAN’ (Produção e Teste de neurónios e organoides cerebrais humanos: modelos avançados para o estudo de doenças do neurodesenvolvimento), liderado pelo investigador João Peça, do Grupo de Circuitos Neuronais e de Comportamento do CNC, adianta a UC, numa nota enviada hoje à agência Lusa.

“Estes ‘mini-cérebros’ ou, em linguagem científica, organoides cerebrais, terão uma dimensão de quatro milímetros e vão ser produzidos a partir de células estaminais dentárias (presentes em dentes de leite e do siso) provenientes de pacientes com autismo”, acrescenta.

Com estes ‘mini-cérebros’ (assim designados por mimetizarem o processo de maturação cerebral) “vai ser possível explorar de forma inovadora as características do cérebro de pessoas com autismo, prestando especial atenção às mudanças morfológicas e à comunicação entre neurónios, e compará-las com a organização do cérebro de pessoas saudáveis”, explicam Catarina Seabra e João Peça.

Esta abordagem, sublinham os investigadores, citados pela UC, “tem a vantagem de obtenção de células através de um processo minimamente invasivo (através da recolha de dentes de leite ou do siso) e proporcionará uma plataforma biomédica e biotecnológica com potencial clínico para medicina personalizada”.

Isto é, “vai ser possível testar alvos terapêuticos ajustados às especificidades de cada doente”, salientam.

A utilização destes organoides cerebrais em laboratório permite, por outro lado, substituir os ensaios convencionais, como, por exemplo, testes em ratinhos.

“As perturbações do espetro do autismo são condições crónicas que afetam uma em cada 68 crianças e produzem grandes custos para a sociedade”, afirma a UC, sublinhando que “para entender melhor estes distúrbios, o acesso ao tecido neuronal dos pacientes é crítico”.

O projeto conta com a colaboração dos especialistas Guiomar Oliveira, da Unidade de Neurodesenvolvimento e Autismo do Hospital Pediátrico de Coimbra, João Miguel dos Santos, da Faculdade de Medicina da UC, e Guoping Feng, do McGovern Institute for Brain Research do Massachusetts Institute of Technology (MIT), Boston.

As bolsas individuais das Ações Marie Sklodowska-Curie, inspiradas no nome da cientista franco-polaca galardoada com dois prémios Nobel e reputada pelo seu trabalho no domínio da radioatividade, são atribuídas pela Comissão Europeia no âmbito do Programa Horizonte 2020.

LUSA

Nova abordagem médica no tratamento da dor pós-cesariana

Uma investigação pioneira desenvolvida durante dois anos por uma equipa de especialistas da Universidade de Coimbra (UC) aponta novas perspectivas para a “abordagem médica personalizada no tratamento da dor pós-cesariana”, anunciou hoje a instituição.

Um estudo piloto realizado em “amostras de ADN de 55 parturientes adultas caucasianas portuguesas submetidas a cesariana programada, seguidas na maternidade do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), mostrou uma associação positiva entre as variantes genéticas da enzima CYP2D6 e a dor”, afirma a UC, numa nota enviada hoje à agência Lusa.

Realizado ao longo de dois anos, o estudo revela que “as variantes genéticas que resultam na ausência ou redução da função enzimática da CYP2D6 estão associadas a mais dor”, sublinha Manuela Grazina, docente da Faculdade de Medicina da UC e coordenadora da equipa multidisciplinar de cientistas e médicos envolvidos na investigação.

“Este efeito está possivelmente relacionado com uma diminuição da síntese da dopamina pela actividade da enzima CYP2D6 no cérebro”, admite a cientista.

Trata-se de “um estudo pioneiro que traz novas perspectivas sobre a abordagem médica personalizada no tratamento da dor pós-cesariana”, destaca Manuela Grazina, citada pela UC.

A enzima CYP2D6, além de metabolizar um elevado número de fármacos no fígado, “apresenta actividade no cérebro e, em condições fisiológicas normais, constitui uma via alternativa para síntese de cerca de 12% de dopamina, um neurotransmissor essencial para o bem-estar, incluindo na resposta analgésica do organismo à dor”, explicita.

“A presença de variantes genéticas que se traduzem em actividade enzimática reduzida ou nula levará a menor produção cerebral de dopamina e, portanto, uma pontuação de dor mais elevada”, acrescenta a docente da Faculdade de Medicina de Coimbra que também é responsável pelo Laboratório de Bioquímica Genética do Centro de Neurociências e Biologia Celular.

Considerando que “a dor pós-parto aguda afecta um número considerável de mulheres” e 10% a 15% “desenvolvem dor persistente crónica após a cesariana, um estudo que permita um tratamento médico personalizado, de acordo com as características genéticas individuais, irá trazer grandes benefícios, permitindo ajustar as doses de analgésico para um tratamento mais eficaz”, adianta Manuela Grazina.

Os resultados da investigação, publicados na revista científica Pain Medicine, são, por isso, um contributo importante para “uma melhor compreensão de como a variabilidade genética da CYP2D6 afecta o resultado da dor”, salienta a investigadora.

“A análise genética do gene CYP2D6 constitui uma ferramenta promissora, rápida, acessível e credível, com uma contribuição muito significativa para a estimativa das necessidades analgésicas no tratamento da dor pós-cesariana”, conclui Manuela Grazina.

A dor é considerada um processo dinâmico e complexo que envolve acções em múltiplos locais, incluindo o genoma das células do sistema nervoso central.

De acordo com a International Association for the Study of Pain, “dor é uma experiência sensorial e emocional desagradável associada com danos reais ou potenciais em tecidos, ou assim percepcionada como dano” e “continua a ser uma das grandes preocupações da Humanidade”, refere a UC.

 LUSA

A plataforma que ajuda a preservar o funcionamento de competências cognitivas

A Mediaprimer desenvolveu uma plataforma (primercog) digital inteligente desenvolvida tendo em conta o envelhecimento da população. Como funciona a mesma? 

A plataforma Primercog (www.primercog.pt) está acessível através da internet e disponibiliza um conjunto de atividades de estimulação, manutenção, monitorização e reabilitação cognitiva. A equipa envolvida no desenvolvimento do Primercog é constituída por investigadores e profissionais em neurociências, design e engenharia, pelo que o Primercog é uma plataforma digital com uma base científica e tecnológica sólida, capaz de suportar o envelhecimento ativo e saudável. Permite o treino cognitivo da memória, atenção, funções executivas, linguagem e capacidade visuoespacial e exige a capacidade de executar várias tarefas, tais como cálculo mental, raciocínio abstrato, planeamento e resolução de problemas.

Para melhor corresponder às necessidades dos seus utilizadores a plataforma considera dois perfis: o perfil saudável (dirigido a adultos cognitivamente saudáveis) e o perfil clínico (dirigido a pacientes com diagnóstico médico de doença neuro-degenerativa, por ex. Défice cognitivo ligeiro e doença de alzheimer). Tem um entendimento claro dos utilizadores a quem se destina, comunica de forma clara e imediata o seu âmbito e os seus objetivos, sendo fácil de usar e bastante apelativo.

O utilizador, depois de autenticado na plataforma, tem acesso às atividades com diferentes níveis de dificuldade, de acordo com o seu perfil e o seu histórico de utilização. Concluída a realização de cada atividade, o utilizador tem acesso a informação básica sobre o seu desempenho. Os técnicos têm acesso a uma informação muito rica sobre toda a atividade de cada utilizador, que permite diferentes tipos de análise dos resultados.

O Primercog distingue-se dos jogos para treino cognitivo porque estes não têm, na sua grande maioria, um perfil específico para pessoas com distúrbios cognitivos. Por outro lado, também se distingue de outras soluções de treino cognitivo que não fazem uma distinção entre utilizadores saudáveis e utilizadores com perfis clínicos, têm interfaces gráficas muito pouco adequadas a pessoas com declínio cognitivo e a seniores com dificuldades visuais decorrentes dos efeitos normais do envelhecimento.

Já foi testada? Que resultados obtiveram? 

A plataforma Primercog realizou com êxito testes de validação funcional em adultos idosos com perfil saudável, confirmando a adequação das atividades de treino cognitivo e o design utilizado, para além de continuar a ser validada pelos dois perfis de utilizadores previstos.

Os testes focaram-se na avaliação do grau de aceitação, da experiência e interação, da eficácia e eficiência da experiência do participante durante a interação com o Primercog e das dificuldades e melhorias ao nível da usabilidade.

Os participantes nos testes realizam previamente uma avaliação psicológica que engloba os aspetos cognitivos, a auto perceção mnésica e o estado emocional, através de um conjunto de instrumentos de avaliação.

Os resultados foram muito positivos sugerindo uma boa adequação da plataforma ao público-alvo, corroborada pelo feedback dos participantes (2/3 consideraram as atividades “adequadas” e 1/3 “muito adequadas” às suas necessidades, características e limitações). Praticamente todos os participantes afirmam que raramente têm dificuldade em ler, compreender e interpretar a informação apresentada.

A Primercog foi desenvolvida com o suporte do Centro de Neurociências de Coimbra. A plataforma é uma ferramenta orientada para que profissionais de saúde? 

O Primercog é uma ferramenta útil para especialistas em saúde mental, psicólogos e outros profissionais que acompanham indivíduos com diferentes níveis de deterioração cognitiva no contínuo entre as alterações cognitivas devidas ao envelhecimento normal e as alterações cognitivas patológicas ligeiras. Permite a definição de programas de reabilitação ou manutenção cognitiva e a monitorização do desempenho dos utilizadores.

Que impacto poderá alcançar, a longo prazo, a plataforma na qualidade de vida da população? 

Como as modificações biológicas e fisiológicas que acompanham o envelhecimento poderão acontecer de forma mais lenta nas pessoas que permanecem mental e fisicamente ativas, a atividade cognitiva frequente antes da demência diagnosticada protege e retarda o declínio cognitivo normal da idade. A manutenção cognitiva regular com o Primercog ajuda a preservar o funcionamento das diversas competências cognitivas e estabilização do desempenho cognitivo.

O envelhecimento ativo e saudável é reconhecido pela União Europeia como sendo um dos maiores desafios societais atuais. Na sua opinião, em Portugal, envelhecer é sinónimo de dificuldade?

Ainda é. Enquanto as pessoas esperam por respostas adequadas a um envelhecimento saudável, existe a contradição entre a necessidade de investimento nesta área e as necessidades de contenção de custos na saúde. Acredito que quando forem assumidos os ganhos da prevenção em relação ao tratamento dos efeitos cognitivos do envelhecimento haverá mais meios para tornar acessíveis ferramentas como o Primercog.

“ESTUDAR NA FCDEF É TER A OPORTUNIDADE DE ESTUDAR NO MUNDO”

O Programa Erasmus nasceu há 30 anos. Mais do que uma experiência académica, o que representa o programa em termos sociais?

Uma conquista de direitos dos cidadãos Europeus, um progresso na cidadania Europeia, acompanhada de deveres, que abriu mentalidades e que permite aos jovens de hoje sentirem-se confiantes tanto em Portugal, como na Dinamarca ou na Eslováquia. O Programa Erasmus permite a partilha, pela convivência, de uma identidade europeia. Quem usufrui de uma mobilidade Erasmus é mais tolerante.

Três décadas depois, o que mudou? Que apoios existem hoje e que tornam a realização do programa quase imperativa?

Considero que o programa se democratizou, abrange mais estudantes. As famílias estão mais recetivas à mobilidade, entendem que é um passo importante na educação dos filhos e chegam mesmo a promovê-la.  Os serviços tornaram-se mais especializados na promoção dos programas de mobilidade. Há viagens mais económicas, há maior acesso à informação à distância e as novas formas de comunicar encurtam os espaços. Tudo se tornou mais fácil.

Na Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da UC de que forma promovem e incentivam os vossos alunos a Erasmus?

A FCDEF comemora este ano 25 anos e a sua história cresceu com os programas de mobilidade. Estudar na FCDEF é ter a oportunidade de estudar no mundo. A faculdade tem um gabinete que, entre outros assuntos, trata dos programas de mobilidade, permitindo à comunidade estudantil tirar as suas dúvidas sobre as instituições com protocolos, as áreas científicas das universidades de acolhimento, o custo de vida nesses países e informações no geral. Existe sempre uma sessão de esclarecimentos aos estudantes que é bastante concorrida, promovida pela Divisão de Relações Internacionais. Mas, especialmente, são os estudantes do ano anterior que passam a palavra e tal tornou-se quase uma tradição de padrinhos para caloiros. O corpo docente também integra regularmente missões de ensino Erasmus, o que contribui para uma visão coletiva diferente.

Que contributo tem o acréscimo de “fazer Erasmus” num curriculum vitae?

A experiência de uma mobilidade desenvolve as competências emocionais dos jovens. Cada vez mais o mercado de trabalho pretende recém-graduados com autonomia, abertos ao multiculturalismo, com conhecimento de uma língua estrangeira e que estejam aptos a deslocar-se para fora do país. Uma mobilidade Erasmus registada num Suplemento ao Diploma é um bom indicador.

O Programa Erasmus funciona com uma rede de 33 países europeus e parcerias entre instituições de ensino e empresas, os participantes podem estudar fora do país de origem ou realizar um estágio internacional, por um período máximo de um ano. Desta forma, Portugal poderá “perder” alunos formados no país que depois optam por trabalhar fora? Que impacto tem essa eventualidade em Portugal?

Já não existe o estudante internacional com dois pólos, isto é, o estudante com um país de origem e um país de chegada. O estudante internacional e em mobilidade também se transnacionalizou, isto significa que pode fazer mobilidade em mais que um país. Do mesmo modo, os recém-graduados podem ir trabalhar para fora de Portugal e voltarem, ou irem para outro país e este país também perderá. Portugal tem que se tornar atrativo.

Portugal está entre os países mais escolhidos por alunos estrangeiros. Na sua opinião, que conjunto de expectativas reúne o país que o torna um dos mais eleitos?

Em primeiro lugar, os estudantes que enviamos, ditos outgoing, são os nossos melhores embaixadores. Por outro lado, Portugal reúne um conjunto de características que o tornam atrativo. Especificamente, a cidade de Coimbra e a Universidade de Coimbra encontram-se muito ligadas e acredito que seja a nossa principal característica. Os alunos escolhem uma instituição ao mesmo tempo que escolhem um local, uma boa ligação entre ambas, cidade e universidade, é fundamental. A qualidade da instituição, do corpo docente a par de oferta diferenciada de serviços, como alojamento, cantinas, uma cidade média com boa oferta de transportes, alojamento privado e com uma tradição académica internacional, faz com certeza a diferença.

A Universidade de Coimbra e a Microsoft juntaram-se para ajudar o seu filho a ler melhor

A nova tecnologia, denominada LetsRead (automatic assessment of reading ability of children), consegue “avaliar em tempo real a capacidade de leitura em voz alta das crianças” naquele nível de escolaridade, afirma a UC, numa nota hoje divulgada.

A tecnologia LetsRead, que foi desenvolvida por uma equipa de investigadores do Instituto de Telecomunicações (IT) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC (FCTUC), em parceria com a Microsoft, “traduz-se assim numa ferramenta bastante útil, não só para as crianças”, mas sobretudo para professores e tutores.

A capacidade de leitura é uma das principais metas curriculares do programa de português para o ensino básico (EB), estabelecendo, por exemplo, que um aluno do primeiro ano deve ser capaz de “ler um texto com articulação e entoação razoavelmente corretas e uma velocidade de leitura de, no mínimo, 55 palavras por minuto”.

Assente em modelos inteligentes de reconhecimento e processamento de fala de crianças com redes neuronais, esta tecnologia de aprendizagem assistida “deteta e quantifica o número de palavras corretas, erros de pronúncia, hesitações, velocidade de leitura e outros indicadores, calculando de forma automática um índice global de capacidade de leitura do aluno”, explica o coordenador do projeto, Fernando Perdigão, citado pela UC.

Através de “um processo simples e rápido”, acedendo a uma página web criada para o efeito, “o professor obtém o desempenho da turma, permitindo-lhe gerir melhor a expectativa do ano escolar, identificar dificuldades e corrigir discrepâncias entre alunos”, sustenta Fernando Perdigão.

Além disso, acrescenta o investigador e docente da FCTUC, este sistema inteligente poderá ser usado como “uma ferramenta didática ou para detetar problemas como, por exemplo, dislexia”.

Para desenvolver a LetsRead, os investigadores recolheram gravações de leitura de cerca de 300 crianças em escolas primárias da região Centro do país.

“Os textos que foram dados a ler aos alunos eram compostos por frases e pseudopalavras – palavras que não existem no léxico mas que são pronunciáveis e importantes para avaliar se um aluno sabe realmente aplicar as regras do código alfabético para ler”, refere a UC.

Numa segunda fase, as crianças foram avaliadas por mais de uma centena de professores do ensino básico em todo o país para validar o sistema.

A LetsRead está pronta para “ser implementada nas escolas do primeiro ciclo de ensino básico do país, assim o Ministério da Educação tenha essa vontade”, sublinham os investigadores envolvidos na criação da nova tecnologia.

O projeto, desenvolvido no âmbito da tese de doutoramento do investigador Jorge Proença, foi distinguido com o Prémio Camões 2016 para as Tecnologias da Língua Portuguesa.

Universidade de Coimbra desenvolve pâncreas bioartificial para tratar diabetes

Uma equipa de investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra está a desenvolver um pâncreas bioartificial com células produtoras de insulina, que estão destruídas ou disfuncionais nos doentes com diabetes, anunciou esta segunda-feira aquela instituição.

A equipa liderada pela investigadora Raquel Seiça “focou-se em melhorar as propriedades biológicas” do dispositivo artificial, desenvolvendo uma “microcápsula” em que as células produtoras de insulina são envolvidas numa matriz de hidrogéis de um polímero natural que mimetiza o “microambiente celular ‘in vivo’”, explica a Universidade de Coimbra (UC), numa nota de imprensa.

Esta técnica “permitiu aumentar a viabilidade e funcionalidade das células encapsuladas e transplantadas”, refere a mesma nota, sublinhando que os sistemas de encapsulamento apresentavam grandes limites no transplante, nomeadamente “a instabilidade dos materiais usados e a sua biocompatibilidade”.

Os resultados das experiências ‘in vitro’ e ‘in vivo’ (em ratos diabéticos) revelaram-se “bastante promissores”, constatando-se uma “melhoria dos níveis da glicose sanguínea e da resistência à ação da insulina” nos animais diabéticos, realçou Raquel Seiça.

Provada a primeira técnica, “os investigadores avançaram para a criação de um novo modelo, o co-encapsulamento de nanopartículas” de uma hormona intestinal que estimula a produção de insulina e de células insulino-produtoras, “de forma a aumentar a produção e a libertação da hormona”.

Com o encapsulamento das nanopartículas e das células produtoras de insulina, “observou-se um aumento muito significativo da secreção de insulina”, explanou Raquel Seiça, citada na nota de imprensa, sublinhando que está em curso “a realização de novos ensaios em modelos animais”.

No entanto, sublinha a catedrática da UC, “há ainda um longo caminho a percorrer”, nomeadamente “reduzir o tamanho da microcápsula, torná-la ainda mais estável, mais viável e mais funcionante para ser transplantada em humanos”.

Para Raquel Seiça, este tipo de sistemas, caso se tornem viáveis, permitiriam “libertar os doentes com diabetes tipo I das injeções de insulina e alcançar um melhor controlo dos níveis de glicose com a consequente diminuição das complicações agudas e crónicas da doença”.

Em Portugal, a diabetes afeta mais de um milhão de pessoas.

O presente estudo da Faculdade de Medicina teve o seu início há quatro anos, com o projeto de tese de Joana Crisóstomo, em colaboração com o Departamento de Engenharia Química da UC (Jorge Coelho) e Instituto Nacional de Engenharia Biomédica – INEB da Universidade do Porto (Pedro Granja, Cristina Barrias e Bruno Sarmento).

Universidade de Coimbra colabora em nova tecnologia para tornar carros e aviões mais leves

O projeto ComMUnion (Net-shape joining technology to manufacture 3D multi-materials components based on metal alloys and thermoplastic composites) está a desenvolver uma tecnologia no sentido de tornar, “num futuro próximo”, automóveis e aviões “mais leves” e “mais eficientes do ponto de vista energético”, afirma a UC, numa nota hoje enviada à agência Lusa.

Além de visar reduzir o peso, o projeto, que é financiado pela União Europeia (UE) com “cerca de cinco milhões de euros”, também pretende que os meios de transporte com estas características tenham “um custo competitivo”.

Coordenado pela Asociación De Investigación Metalúrgica Del Noroeste, de Espanha, o projeto reúne 16 parceiros de universidades, entre as quais a UC, através da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCTUC), centros tecnológicos, nomeadamente o Instituto Fraunhofer, da Alemanha, e diversas empresas.

Os investigadores estão a desenvolver várias tecnologias em conjunto, incluindo um robot, que permitam o fabrico de componentes formados por multimateriais para aplicação na fuselagem de aviões e carroçaria de automóveis.

Os designados multimateriais são “obtidos pela junção de metais e termoplásticos reforçados com fibra”, através de “processos altamente complexos”, que irão tornar “os setores automóvel e aeronáutico muito mais competitivos”, refere a UC.

Atualmente, explica o coordenador da equipa da FCTUC no projeto, Pedro Neto, “a parte estrutural dos veículos é feita essencialmente de metais”, mas, “no caso dos aviões, vários já são feitos de materiais compósitos (que são mais leves)”.

No entanto, estes compósitos dos aviões “são geralmente de matriz resinosa” (não podem ser recicláveis) e “são fabricados como peças únicas, ou seja, são ligados a outros componentes à posteriori”, sublinha Pedro Neto, citado pela UC.

“No ComMUnion estuda-se o uso da ligação de compósitos termoplásticos com metais, de forma a poder reforçar os componentes estruturais nas zonas mais críticas, reduzindo o consumo de metais de elevado custo”, acrescenta o investigador.

“O domínio do fabrico destes multimateriais irá trazer vantagens competitivas importantes para a indústria europeia em geral e portuguesa em particular, uma vez que parte significativa da economia exportadora portuguesa assenta no fabrico de componentes para a indústria automóvel”, sublinha ainda o docente de engenharia mecânica na FCTUC.

Em Portugal, a solução tecnológica desenvolvida no âmbito do ComMUnion será testada numa empresa do grupo MOTOFIL (com sede em Ílhavo), dentro de três anos.

A indústria automóvel representa cerca de 3% do PIB (Produto Interno Bruto) da UE e cerca de 7% da produção industrial total da União, refere a UC.

Já a indústria aeronáutica é um dos principais setores de alta tecnologia da UE, empregando em 2013 mais de meio milhão de pessoas e gerando um volume de negócios de cerca de 198 mil milhões de euros.

Universidade de Coimbra visitada por mais de 300 mil turistas em 2015

A Universidade de Coimbra (UC) foi visitada em 2015 por 300 mil turistas, 90% dos quais estrangeiros, disse esta segunda-feira o reitor da instituição, João Gabriel Silva.

Aquele número diz respeito apenas a visitantes que adquiriram bilhetes, disse o reitor, que falava esta segunda-feira na sessão de boas vindas da terceira edição do ‘Vê Portugal — fórum turismo interno’, que decorre até terça-feira no centro cultural e de congressos do Convento de São Francisco, em Coimbra.

França e Brasil são os maiores fornecedores de turistas estrangeiros da Universidade de Coimbra, enquanto China, Japão e Coreia são dos mercados que maior crescimento estão a registar, adiantou João Gabriel Silva.

A Universidade encara o turismo, desde há algum tempo, “se calhar fruto da crise, como uma fonte de receita”, promovendo, designadamente, “encontros regulares com operadores turísticos”, pois “só trabalhando em conjunto” será possível fazer “crescer esta atividade de forma sustentada”, defendeu.

A Biblioteca Joanina, que é considerada, na generalidade dos “rankings internacionais”, como “uma das mais bonitas do mundo”, é o espaço da Universidade que mais turistas atrai, seguida da antiga Sala do Trono, agora Sala dos Capelos, também denominada Sala Grande dos Atos.

“A Biblioteca Joanina, acompanhada pelo Portugal dos Pequenitos, continua a ser a joia da coroa do turismo em Coimbra”, corroborou, na sua intervenção, o presidente da Câmara de Coimbra, Manuel Machado, salientando que se trata de “tipos distintos de fluxos turísticos”.

O presidente da Câmara espera que à Biblioteca e ao parque temático se junte “o renovado Convento São Francisco, que funcionará como o agregador destas e de todas as outras atrações culturais e turísticas da cidade de Coimbra”.

Depois de “reconhecida com o título de Património Mundial da Humanidade, pela UNESCO, a cidade alcançou um novo estatuto e tem vindo a tornar-se um destino ainda mais apetecível, cada vez mais procurado e desejado por turistas e também por investidores”, afirmou Manuel Machado.

“O número de dormidas nos estabelecimentos hoteleiros, os proveitos com a atividade turística, o número de atendimentos nos postos de turismo da cidade” e de visitantes dos “monumentos e equipamentos culturais” têm vindo a “aumentar consideravelmente, ao mesmo tempo que surgem novos negócios no centro histórico da cidade, cada vez mais atentos a quem nos visita, e projetos para novas unidades hoteleiras”, assegurou.

“Se 2015 foi o melhor ano de sempre em termos de presença turística na cidade, as previsões apontam para um 2016 ainda melhor”, disse o autarca.

A sazonalidade, a taxa média de estadia e a litoralização são “três problemas estruturantes por resolver” na região Centro, sustentou, durante a mesma sessão de boas vindas, o presidente da Entidade Regional Turismo Centro de Portugal, Pedro Machado.

A média nacional de estadia do turista em Portugal é de 2,2 noites, mas na região Centro é de 1,8, exemplificou Pedro Machado,

Cerca de 90% das dormidas dos turistas em Portugal registam-se no litoral, salientou Nuno Fazenda, da Turismo de Portugal, durante um painel sobre o setor e o seu valor para a economia portuguesa, que, moderado pelo diretor do Jornal de Notícias, Afonso Camões, também contou com a participação da gestora Maribel Rodrigues, de Espanha.

A promoção da coesão territorial e o combate às assimetrias regionais são, assim, essenciais para o desenvolvimento do setor em Portugal, ainda com grande margem de progressão, concluiu.

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