115 anos de Frida Kahlo

Celebram-se hoje 115 anos da eterna Magdalena Carmen Frida Kahlo y Calderón, por todos conhecida como Frida Kahlo, a artista mexicana que nos marcou para sempre com as suas obras e ambições. A Revista Pontos de Vista, deixa-lhe, neste dia especial, alguns factos importantes sobre a pintora.

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Os anos passam e o mundo aparenta estar em sucessiva mudança, mas há personalidades que se mantêm constantes na memória de todos. Falamos de Frida Kahlo, a mulher que tem o seu rosto e a sua arte estampada em todo o lado: barbies, roupa e até calçado. No dia em que celebraria o 115º aniversário, conheça alguns factos sobre o que fez da artista uma referência.

Era muito orgulhosa da sua origem mexicana
Frida nasceu no dia 6 de julho de 1907 no méxico, filha de pai alemão e mãe com ascendência espanhola e indígena. Mas a verdade é que, embora fosse considerada “mestiza”, sempre se identificou com as suas raízes indígenas e era amante do povo mexicano. A pintora cresceu no seio de um caos político que levou ao fim de uma ditadura de cerca de 30 anos. Podemos mesmo afirmar que a instabilidade deste período foi o que moldou a visão da artista sobre o mundo. Já com 16 anos, juntou-se a um partido socialista local, sendo que aos 20 se tornou membro do Partido Comunista Mexicano. Durante toda a sua vida foi esquerdista defensora do povo mexicano.

Começou a pintar após um acidente que a colocou em risco de vida
Esta foi uma artista que durante toda a sua vida se viu obrigada a lutar com sérios problemas de saúde, mas nem por isso deixou de viver a sua vida na plenitude. Em criança, lutou contra um caso grave de poliomielite que acabou por deixá-las com algumas deficiências. Isto é, a doença fez com que a sua perna direita fosse mais fina do que a esquerda – o que ela disfarçava com as suas tão míticas saias longas. Já na adolescência, teve um acidente de viação, onde sofreu ferimentos graves na coluna vertebral, pernas e pés. Um acidente que a obrigou a usar um espartilho de gesso durante o resto da sua vida. Foi neste momento que, por estar acamada, Frida começou a pintar com aguarelas. Anos mais tarde, pintou “A Coluna Quebrada”, onde mostrava o seu espartilho de gesso.

Foi casada com um pintor mexicano
Embora fosse 20 anos mais velho, Frida apaixonou-se pelo famoso Diego Rivera, com a qual casou em 1929. Segundo a Fundação Frida Kahlo, os seus casamentos (casaram duas vezes) foram prejudicados pelos seus temperamentos impetuosos e assuntos extramatrimoniais. É precisamente devido a todos os altos e baixos desta relação amorosa, que hoje podemos usufruir de tantas obras fantásticas da pintora. Na obra “Auto-retrato com cabelo curto”, que pintou meses após o seu divórcio, Kahlo retrata-se sentada de forma solene com um fato de homem vestido, segurando as longas mechas de cabelo recentemente cortado. O fato largo é semelhante aos que Rivera usava, e sabia-se que ele adorava o seu cabelo comprido, que Kahlo pintou disperso pelo chão.

Rejeitou o título de artista surrealista
Frida é famosa pelos seus autorretratos, mas não era só isso que ela pintava. A artista também elaborava obras cujo tema principal era a natureza morta, tal como se pode observar nas pinturas “Cactus Fruits” (Tunas) e “Window Display in a Street in Detroit” (Exibição Da Janela Em Uma Rua Em Detroit). Pintou ainda cenários medonhos, como o “What the Water Gave me” (O que a Água Me Deu) onde retrata figuras e paisagens a flutuar numa banheira. A verdade é que a artista se inspirava continuamente em experiências pessoais dolorosas, incluindo o seu casamento dificultoso, abortos espontâneos e procedimentos médicos. De acordo com a Fundação Frida Kahlo, muitos dos seus autorretratos retratam feridas físicas e psicológicas. Para além disso, as suas pinturas também incorporaram temas relacionados com o empoderamento feminino e a força de vontade. Alguns contemporâneos, como o famoso surrealista André Breton, descreveram as obras da artista como surrealistas. Mas este foi um rótulo que a mesma rejeitou. “Eles achavam que eu era uma surrealista, mas não era. Eu nunca pintei sonhos. Pintei a minha própria realidade”, disse Kahlo a respeito dos seus críticos, segundo o Museu de Arte Moderna.

Frida utilizava a moda para fazer declarações políticas
A artista misturava propositadamente a moda ocidental com o vestuário indígena tradicional com o intuito de fazer uma declaração política sobre a identidade cultural, o nacionalismo e o feminismo. “Criou o seu estilo distintivo através de uma mistura de moda tradicional mexicana e europeia, combinada com os efeitos fundamentais das suas deficiências e das suas crenças políticas: Kahlo como artista boémia, uma Tehuana, uma figura híbrida”, afirmou Circe Henestrosa, co-curadora de “Frida: Making Her Self Up”, uma exposição de 2018 no Victoria and Albert Museum de Londres. O seu estilo anticolonial incluía vestidos modernos adornados com padrões inspirados nos maias, lenços rebozo e colares tradicionais, bem como outros acessórios.

Com o tempo, Frida Kahlo tornou-se famosa e adorada tanto pela sua aparência única como pelo seu impressionante trabalho, sendo hoje – e para sempre – uma das eternas mulheres mais aclamadas por todos.

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Revista Pontos de Vista Edição 117

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