“A nossa capacidade de colocar Profissionais no mercado de trabalho é muito grande”

Criado em 1979, o Politécnico de Coimbra (IPC) é uma instituição de ensino superior público e está localizada no Centro Litoral de Portugal, naquela que há séculos é conhecida como a «cidade dos estudantes». Ao longo dos seus 44 anos de história, o mesmo tem-se destacado pela sua dedicação à formação de profissionais altamente qualificados, preparados para enfrentar os desafios do mundo moderno. Jorge Conde, Presidente deste Instituto, contou-nos, em entrevista, o porquê de este Politécnico ser uma referência no panorama académico do país.

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Este ano marca o 44º aniversário de uma instituição de ensino superior que tem desempenhado um papel fundamental no desenvolvimento educacional e profissional da região e do país como um todo.

Falamos do Politécnico de Coimbra e de como tem contribuído para a formação de milhares de estudantes, oferecendo uma ampla gama de cursos em diversas áreas do conhecimento – hoje, é uma das dez maiores instituições de ensino superior portuguesas, com escolas superiores de excelência, como a Escola Superior Agrária, a Escola Superior de Educação, a Escola Superior de Tecnologia da Saúde, a Escola Superior de Tecnologia e Gestão, o Instituto Superior de Contabilidade e Administração e o Instituto Superior de Engenharia. Através das suas escolas, o Politécnico de Coimbra ministra Cursos Técnicos Superiores Profissionais, Licenciaturas, Pós-Graduações e Mestrados.

O IPC integra, ainda, uma unidade orgânica de investigação através do i2A – Instituto de Investigação Aplicada, que assegura o ambiente certo para o trabalho de todos os investigadores, e integra, também, duas unidades orgânicas de apoio à formação e ao desenvolvimento, como o Centro Cultural Penedo da Saudade – um local de promoção e divulgação cultural e artística, e o INOPOL – Academia de Empreendedorismo, que proporciona, como o nome indica, um ecossistema de empreendedorismo de inovação da região, com mecanismos de apoio ao desenvolvimento de ideias e projetos inovadores, com potencial de mercado, promovendo não só um leque diversificado de oportunidades de estudo e de pesquisa, como uma força viva da cidade de Coimbra e da forma como todos, em Portugal, a conhecemos.

Contudo, além de ser uma das maiores, o que faz desta uma das melhores Instituições de ensino superior em Portugal? Jorge Conde, Presidente do IPC, destaca, desde logo, que “além da quantidade, temos, sobretudo, a qualidade. A nossa capacidade de colocar profissionais no mercado de trabalho é muito grande. Temos uma formação orientada para a componente prática, para aquilo que o terreno quer receber, o que faz com que entreguemos profissionais de valor acrescentado, pela forma como são formados. Posso dar o exemplo da área da saúde, onde temos uma ligação firme a um dos melhores centros hospitalares do país, que é efetivamente o Centro Hospitalar Universitário de Coimbra. Quando os nossos estudantes terminam as suas licenciaturas, já sabem aquilo que vão encontrar no mercado de trabalho”, acrescentando ainda que “esta quantidade e qualidade também se alia ao universo de profissionais competentes, docentes e não docentes, que destacam e diferenciam o Politécnico de Coimbra”.

Esta instituição de ensino superior é, por todas as razões mencionadas, comprometida com a excelência académica, com a formação profissional e com o desenvolvimento pessoal dos seus alunos. Com uma abordagem multidisciplinar e uma visão orientada para o futuro, o Politécnico de Coimbra prepara os estudantes e gerações futuras para enfrentar os desafios do mundo e contribuir para o progresso da sociedade.

O papel do IPC no território

Ao longo dos anos, o IPC tem desempenhado um papel preponderante no desenvolvimento regional, estabelecendo parcerias com instituições locais, empresas e organizações da sociedade. Esta cooperação tem contribuído para a criação de programas de estágio, projetos de pesquisa aplicada e ações de extensão, aproximando o universo do ensino superior às necessidades empresariais e promovendo a transferência de conhecimento e inovação.

“Nós partilhamos o território com uma das mais prestigiadas Universidades do mundo e, portanto, estamos inseridos numa realidade que, na minha opinião, é ímpar. Assim, o que é que fizemos para sobressair à mesma? Tornamo-nos na instituição da região. No Politécnico de Coimbra não estamos preocupados se a cidade tem ou não indústria porque, mesmo que não tenha, há em Arganil, por exemplo, ou em Oliveira do Hospital, onde já temos uma Escola Superior com 700 alunos. Temos indústria na Lousã, onde criámos um polo de formação, a que chamámos “Escola da Floresta”, devido às suas particularidades. Também em Cantanhede temos uma escola direcionada para as artes e para o espetáculo e estamos a idealizar, ainda, um polo ligado ao vinho que é, atualmente, uma das indústrias mais visíveis em Portugal”, assegura Jorge Conde.

Esta visão central expande-se ao plano nacional, a um mercado que se serve da região de Coimbra como um laboratório de inovação e leva, para dentro das suas empresas, o conhecimento que ali se desenvolve. Prova disso mesmo é, exemplarmente, o Projeto @GIR – Gabinetes de Inovação Regional, que é uma iniciativa desenvolvida pelo IPC que pretende ligar esta instituição aos territórios da região, com foco no interior, criando espaços nesses territórios para a realização de ações em conjunto. São objetivos deste projeto abrir portas à transferência de conhecimento, ao desenvolvimento de projetos de inovação, à dinamização de ações de integração dos estudantes e à qualificação das empresas e instituições da região.

Sustentabilidade e digitalização

O Politécnico de Coimbra está atento e acompanha de perto as tendências do mercado, reconhecendo, desde logo, a importância de preparar os estudantes para um mundo em constante evolução.

Sabe-se que a sustentabilidade é um tema cada vez mais relevante e presente nas instituições de ensino superior. Por esse motivo, o IPC tem consciência ativa de que é responsável por formar seres humanos que serão futuros decisores, profissionais e líderes de opinião, e por capacitá-los no sentido de agirem em prol de um desenvolvimento mais ecológico e saudável para o ambiente.

Neste sentido, o Politécnico de Coimbra criou o projeto +Sustentável, que surge com o objetivo de incentivar a alteração de comportamentos, prevendo uma atuação ao nível da redução de consumos e de resíduos, assim como da promoção de uma economia circular, da mobilidade elétrica e da formação à comunidade escolar.

“O projeto +Sustentável nasceu do sonho de nos tornarmos numa instituição muito próxima do 100% verde. Para isso, nos últimos cinco anos, investimos cerca de sete milhões em projetos que melhoram a eficiência energética. Este foi o primeiro passo no caminho da nossa preocupação com o ambiente. Depois, fizemos um trabalho de educação da nossa comunidade, lançando campanhas com mensagens produzidas pelo Serviço de Saúde Ocupacional e Ambiental que espalhámos pelas infraestruturas. Fizemos, também, uma campanha com a água, que teve como objetivo a redução do seu consumo impróprio e ainda uma outra apelando à redução do plástico – aqui, por exemplo, oferecemos aos novos alunos uma garrafa de água reciclável, com a possibilidade de as encherem através nos bebedouros existentes nos edifícios”, revela o Presidente do IPC.

Além disso temos várias licenciaturas ligadas ao ambiente, como a Saúde Ambiental, a Tecnologia Ambiental e a de Gestão de Cidades Sustentáveis.

Mas estas medidas não ficaram por aqui, uma vez que também o papel foi abolido em diversas ocasiões – como nas entregas de trabalhos por parte dos estudantes – fomentando, ainda, o processo de digitalização que há muito decorre dentro desta «casa» de ensino vanguardista.

Segundo Jorge Conde, “o ensino digital está, cada vez mais, em cima da mesa e hoje já contamos com vários cursos na área da Pós-Graduação que estão a funcionar à distância”.

Contudo, embora este processo já esteja a decorrer há vários anos, e com total consciência de que é uma tendência para ficar, o nosso entrevistado alerta para algo que não nos podemos esquecer. “Quando pensamos numa instituição de ensino superior, pensamos que é um espaço de partilha, de aquisição de conhecimento e não é só científico, também é cultural, educacional, entre outros. É, também, um campo de afetividade, onde se fazem amigos para a vida ou até de onde resultam inúmeros casamentos. Apesar da digitalização premente, é fundamental que se preserve o espaço físico”.

À margem desta visão, existem determinadas ferramentas digitais que têm sido, e são aos dias de hoje, cruciais no seio desta atividade. Atualmente, o Politécnico de Coimbra conta com plataformas informáticas para diversos efeitos, tais como a contratação de professores, gestão de recursos humanos e toda a gestão administrativa e financeira do instituto, estando, por isso, a par das exigências do mundo moderno.

Internacionalização é prioridade

O compromisso do Politécnico de Coimbra com a internacionalização também merece destaque. Através de parcerias com instituições de ensino superior em diversas partes do mundo, este instituto tem promovido a mobilidade de estudantes, permitindo o intercâmbio de conhecimentos e experiências inseridas num ambiente multicultural. Esta abertura para o mundo tem contribuído para a formação de profissionais globais, capazes de atuar num mercado de trabalho cada vez mais internacionalizado.

Importa referir ainda que esta estratégia de internacionalização é dividida, atualmente, em dois focos primordiais – e o primeiro é o mundo lusófono. O Politécnico de Coimbra reconhece a importância da língua portuguesa e da herança cultural compartilhada nos países lusófonos e procura, primeiramente, fortalecer os laços com estas nações.

Jorge Conde reitera que “temos uma aposta sólida com o Brasil, de onde trazemos todos os anos cerca de 150 a 200 alunos. Temos ainda uma grande aposta em Cabo Verde e em Angola, de onde também muitos estudantes vêm conhecer, viver e estudar em Coimbra. Atualmente, posso dizer que temos, em média, 800 estudantes estrangeiros”.

No que concerne ao segundo foco, diz respeito à Europa, e “tem a ver com a formação em Mestrados, a curto prazo em Doutoramentos, e com a investigação. É o que temos estabelecido nas nossas redes europeias e onde o expoente máximo é o facto de termos, agora, conseguido desenvolver uma aliança europeia, com mais sete universidades, e que eu acredito que será apenas o embrião de algo muito poderoso que virá no futuro”, assume o nosso interlocutor.

A internacionalização tem sido, e é, uma das grandes prioridades do IPC. Através de programas de mobilidade estudantil, parcerias internacionais, participação em redes académicas e colaboração em projetos de pesquisa, o Instituto procura, acima de tudo, oferecer uma visão ampla do mundo para os seus alunos.

“Polytechnic University”: o acesso a um novo paradigma

Recentemente, o Primeiro-Ministro, António Costa, afirmou que o ensino Politécnico dá “um contributo único para o país”, uma vez que permite vencer o défice estrutural das qualificações, fomentar o desenvolvimento do território e aumentar a inovação, por estar inserido no tecido económico das regiões.

Face ao espaço e à importância que os Politécnicos têm vindo a ganhar no ensino superior em Portugal, é agora permitido a estas instituições atribuírem graus de Doutoramento.

Mas não fiquemos por aqui, porque, juntamente a esta nova Lei da Assembleia da República, que atribuiu aos Politécnicos o direito a conceder o grau de Doutor, nas mesmas circunstâncias de igualdade com as Universidades, reforçou-se a sua dinâmica de internacionalização, permitindo-lhes designarem-se, em língua inglesa, como “Polytechinc University”.

Para Jorge Conde, estes passos simbólicos, “vão valorizar o reconhecimento social dos Politécnicos, não só em Portugal, como – e sobretudo – a nível internacional”.

Certo é, um dos grandes objetivos da educação, consiste em reduzir o abandono escolar e aumentar os níveis de conclusão de ensino.  Assim, este reconhecimento vem apenas reforçar o contributo dos Politécnicos para que cada vez existam mais alunos a frequentar o ensino superior, para as taxas de empregabilidade e para as carreiras de sucesso dos diplomados – campos onde o Politécnico de Coimbra, há muito, se destaca.

Um futuro promissor

Nestes 44 anos, o Politécnico de Coimbra tem acompanhado as transformações do ensino superior, adaptando-se às necessidades e demandas da sociedade. A instituição tem investido, por um lado, em infraestruturas modernas, laboratórios de última geração e tecnologias inovadoras, proporcionando um ambiente propício à aprendizagem e, por outro, tem estimulado as relações humanas e empresariais.

Agora é tempo de olhar para o futuro. Jorge Conde garante que este espaço de tempo vindouro será de “inserção regional, de internacionalização, de inovação, de empreendedorismo e de transformação do ensino”.

O Politécnico de Coimbra reafirma, por isso, o seu compromisso com a formação de profissionais competentes e éticos, capazes de contribuir para o desenvolvimento social, económico e cultural da região e do país. Com um percurso de sucesso, e com uma visão orientada para o futuro, esta continuará a ser uma Instituição de referência no ensino superior em Portugal.

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